Wednesday, June 28, 2006

Monday, June 26, 2006

Da leitura

Conclui a leitura de "Cem anos de Solidão", de Gabriel García Marquéz. A obra-prima é repleta de trechos que me deixaram incrédula e imóvel por alguns minutos. Nesse tempo, só conseguia reler, sublinhar e pensar "Puta que pariu pra esse cara". Às vezes chorava também. Não estou com o livro aqui, senão reproduziria o parágrafo sobre o enterro do Coronel Aureliano Buendía e o outro que descreve o pouso de emergência da aeronave em meio às violetas. Era emergencial para Amaranta Úrsula e seu marido deitarem em terra firme quando sentiram fome, um pelo outro, lá no céu. O livro como um todo é mais do que uma obra-prima, é uma coletânea de linhas primorosas.

Adoro quando me deparo com partes assim. Fico com cara de comovida enquanto me delicio com a sucessão perfeita das palavras. Como não tenho Garcia Marquez em mãos, coloco aqui a crônica de Martha Medeiros desta semana. Esta é outra escritora que deve chorar depois de ler o que escreve. Além de me deixar com cara de choro a cada texto seu. O desta semana me pegou desprevinida. Chorei até soluçar.

Primas,
Isso era tudo o que eu queria dizer...


A morte é uma piada

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?

Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.

Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

Martha Medeiros

Friday, June 16, 2006

Da sinestesia

A emoção que veio vermelha
virou saudade branca
e ficou lembrança cor-de-rosa
do teu olhar azul
do meu sorriso amarelo
e daquele nosso desejo tão cor-da-pele

Martha Medeiros

Tuesday, June 13, 2006

Da procrastinação



Tem coisa melhor do quê, sem remorso, trocar a aula de ginástica por um cochilinho e uma sessão de doces?

No detalhe, um saco vazio de gelatinas formato de tubarão. Tipo aquelas que vendem no peso na "Sweet Sweet Way" e na "Honey Honey", sabem? Um dos meus vícios... mas sempre me pergunto por que essas guloseimas têm uma aparência tão repugnante: DENTADURAS, caveiras, tubarões e OVO FRITO... Pois é, gelatina doce com forma de ovo frito. Também me questiono como tais aspectos não tiram o meu apetite. Que diabos de estratégia de marketing é essa?

Falando nisso... Diálogo entre eu e Igor:

- Amor, vou na padaria.

- Ai, amor! Compra dentadura pra miiiiiiim - pedi manhosamente

- Dentadura?! Nunca vi isso...

- Môre, você acha na última prateleira, perto do freezer.

- E fica dentro de um copinho com água?

Ele não achou a dentadura. Mas trouxe um saquinho de gelatinas de cobrinhas e uma caixa de ferrero rocher. :)

P.S- A foto foi tirada por Quel que sucumbiu à graça da cena.

Monday, June 12, 2006

Do amor

É de Bearzi...

Igor dá gosto e cheiro ao amor
Ele tem gosto de beijo roubado atrás da árvore,
de alegria de menino moleque
quando pega fruta do pé.
Tem cheiro de flor de enfeitar cabelo de menina faceira,
de bolo de fubá com café,
de obra de arte de vó...
Igor não é só um namorado...
é infância que não acaba nunca!

Ele também tem aquele gosto bom de quando a gente troca o salto pelo chinelo...

Amor,
Hoje é dia dos namorados, mas dia 20 é dia de nós dois!
Por favor, Papai do Céu, faz a Terra girar mais rápido pro dia 20 chegar logo...

Friday, June 09, 2006

Da angústia

Tem dia que a gente só quer ficar em frente à TV, debaixo da coberta, se escondendo da frieza do tempo e do mundo. Sair da redoma de retalhos só depois daquela dorzinha que irradia da alma pro peito passar...
Meu coração tá espremido, do tamanho e textura de uma jujuba sem cor.
Conservo os grãozinhos de açúcar...

Wednesday, June 07, 2006

Do Coreu

De franjinha, estive no laboratório de video da PUC ontem. Fui encontrar com o Renato que lá preparava seu sublime portifólio de jornalismo de TV. Pedro Bial e Fátima Bernardes, direto da Alemanha, sentiram arrepio. Não de frio, mas de concorrência. Deu saudade daquela sonífera ilha gelada.

Depois, ao som da radiola de agulha quebrada, tomamos cerveja no Marcílio e comemos "coisas gordas", como sempre quando nos encontramos. Deu saudade do frango à passarinho e da batata frita crocante da Marcília.

Às 22:30h em ponto fechamos a conta. A idéia era pegar o "Boca do Forno" aberto para comermos uma fatia de torta. Na esquina do Marcílio, Renato vislumbrou as luzes acesas, as mesinhas ocupadas e os portões de ferro ainda no alto. Saiu correndo feliz, dando pulinhos à lá "I'm singing in the rain". Na altura de um poste que fica a meio caminho "do Boca", as calças da figura saltitante estavam nos joelhos. Desconcertado, com a cueca branca e a cara vermelha de tanto rir, gritou: "Minha calça!!!!!!!!!", enquanto levantava a mesma. Duas meninas que passavam não puderam deixar de assistir. Deu saudades da Izabel presenciando aquela cena comigo.

Uma torta de prestígio calou a nossa boca por alguns minutos. Murmuramos apenas "Huuuuums" à medida que detonávamos a fatia. No caixa, não resisti ao bombom de moranguinho feito com Novomilk, segundo o Renato. De Novomilk ou Quick, ele abocanhou metade do meu depois de eu ter oferecido um inteiro só para ele. Indo embora, tive que presenciar uma frase clássica, bem do Renato Soares. Vendo a faixa pendurada com o slogan "Na copa, coma todos os dias na Boca do Forno", ele disparou em direção ao dono: "Ei, Márcio! 'Na copa, coma todos os dias na Boca do Forno e vire uma bola, né?'". O Márcio não conseguiu esconder o riso. Deu saudades dos dias de gula e de saladas no Boca do Forno.

Para celebrar e findar o encontro, fumamos um cigarro na pracinha ao som da música ao vivo do cantor mudo do 'A Granel' (essa parte só Renato vai entender). Nem precisamos pagar couvert, já que, de onde estávamos, dava para roubar o som do restaurante. Deu saudades de correr dali para chorar no sofá-cama azul do apê 1403. Muitas saudades do apê do edifício Key West que, há quase seis meses, conserva a luzinha verde da varanda apagada.

E quase todo o brilho do Coreu também foi junto com aquelas duas candangas duma figa...
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