Saturday, December 30, 2006

Da "homenage"

Do meu grande e sempre professor de literatura Octavio Da Matta, literatura de cordel:
"A minha querida Pati
é mestre no jornalismo
gosta de literatura
sabe também modernismo
e agora também dá aulas
com todo esse brilhantismo.
De Belô a Porto Alegre
sai espalhando cultura
entrevistando a gente,
fazendo literatura
e além de tudo a guria
é a maior formosura.
Minha querida Patrícia
rendo aqui essa homenage
pra essa pessoa que leva
carinho e amor na bagage
saúde, sorte e sucesso
pra você nessa viage"
Tudo isso feitinho de improvisu, bem pontual, numa prosa virtual...

Tuesday, December 26, 2006

Da essência

Pandora sempre foi uma caixinha de surpresas. Desde pequena surpreendia a famiília com sua sagacidade e jeito imprevisível. Começou a ler antes de aprender na escola. No carro com a mãe, o jornal em cima do colo, soletrou uma palavra da manchete principal: PE-CA-DO. A mãe quase bateu o carro de susto... e orgulho. Mal sabia ela que há muito Pandora costumava segredar para si as palavras dos outdoors da cidade. Tinha só cinco anos.
Cresceu ouvindo que o sexo feminino deveria prezar a independência porque os homens não prestam. Com 16 anos e corpo de mulher começaram os estragos. Aos 22 - estagiária de uma empresa de comércio exterior -, de tailler moderninho e salto agulha, pisoteava corações masculinos. O figurino era recheado com um corpinho de 1.75 m e medidas 90-60-90. Aos 25, já contratada pela empresa de comércio exterior, as medidas mudaram. Ela não. A primeira e a última ganharam alguns ml de silicone: 96-60-102. Números não mais arredondados, em compensação o corpo sim. Este também ganhou mais adeptos.
Cercada de "homens vazios", como ela mesma dizia, fazia do jogo da sedução seu melhor passatempo. E o sofrimento dos pobres que se achavam pretendentes, sua melhor recompensa. Cultivava nos outros os pecados da luxúria e da ira. Controlava a avareza, a gula e a preguiça. Despertava a inveja feminina. Emanava soberba.
Aos 29, funcionária pública bem sucedida e residindo nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas, perdeu a graça de viver. Sentia falta de um bração constante que a envolvesse na hora de dormir. Alguém do sexo oposto para lhe fazer carinho no domingo à noite. Pra brindar um cálice de vinho tinto num dia feliz. Pra brigar pela fatia de bolo mais recheada. Queria um filho.
Conheceu Matoso, nordestino da porra, funcionário público em estágio probatório. Bonitão, morenão, machão, diferente dos tipos modernos e sensíveis que tinha se acostumado. Ficou louca. Ele cultivou nela a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Ela passou a despertar a compaixão feminina quando deixou a soberba embrulhada na gaveta da escrivaninha do Matoso. Aos 32 casou, teve 3 filhos homens e emendou a licença maternidade com o trabalho doméstico.
Pandora descobriu-se Amélia...

Wednesday, December 20, 2006

Do calor de Santa Maria


No verão que deixei Santa Maria, no Centro do Rio Grande do Sul, deixei pra trás só o calor. O resto veio comigo. Pelo menos em um aspecto fiquei feliz ao entrar no ônibus com ar condicionado. Olhava triste para o Igor da janela e, além de triste, ele, tadinho, me olhava com calor. O termômetro da rodoviária condenava quarenta graus sufocantes. Para se ter uma idéia, no tórrido dezembro dentro da república, quando os moradores saíam para a aula, eu juntava o ventilador de todo mundo, ao todo três, em cima de mim. Era só sair da rota dos ventinhos que o suadouro recomeçava. Sim, não é só de frio que vivem os gaúchos. E quando me sentia abafada, irritada, prestes a pular da janela e quase rouca de tanto gritar: "Senhor, que calor!", me vinha Manuel Bandeira na cabeça, refrescando (pelo menos) a memória: "Tu reclamava de barriga cheia do calor de Recife, muié".
Brisa

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:Vamos viver de brisa, Anarina.
(Manuel Bandeira)

Tuesday, December 19, 2006

Do Rio Grande do Sul II

Até o domingo à noite é bom...

Monday, December 11, 2006

Da decepção

Muitos já sabem que Igor, meu namorado, é canhoto das idéias. Membro da União Nacional dos Estudantes e filiado ao Partido dos Trabalhadores, ele luta contra as injustiças sociais. Morro de orgulho! E Confesso que muito tenho aprendido com ele. A sociedade pra mim tem outra cara agora. Mas às vezes nossas palavras ainda trombam... Tipo assim:
- Ei, amor! Sabe o que meu pai ganhou de natal de dois clientes?
- O quê?
- Um palmtop e um laptop!
Ele que estava deitado com a cabeça no meu peito, esticou o pescoço e me encarou:
- Mas teu pai é médico de elite então???
- Anhan. O melhor médico tem que cobrar caro, né? - corujei
- E ele ainda salva a vida deles?!
Gargalhadas e beijinhos. Silêncio.
- Mas é com o dinheiro dessa elite que às vezes a gente faz umas farrinhas boas...
- Báh... - murmurou decepcionado

Thursday, November 23, 2006

Do aconchego

Se no céu não tiver cadeira de balanço... o que será de Tia Celina que foi para o céu...?*






*Adaptação do poema de Mário Quintana para Tia Élida.

Monday, November 13, 2006

Do lexotan de supermercado

Tem dia que só uma overdose de açucar me acalma.
Acho que a dose de ontem me manterá serena até o mês que vem:
2 torrones + 1 serenata de amor + 1 laka + 25 balinhas setebelo.

Não, não. Não foi ao longo do dia. Um atrás do outro.
Sim, sim. Esses ataques coincidem com minha tpm.
Mas bem que o peso na consciência podia não descer para os quadris, néam?

Por favor! Alguém sabe como evitar doces e ser feliz?

Monday, October 09, 2006

Da poesia sem verso

- Você se lembra quando nós dormimos na praia de Boracéia? E não tinha lua nem um pouco de luz para distinguir as coisas da terra. Tudo era um negro só. Nós estávamos perto do mato e sentíamos aquele cheiro de clorofila misturado com o nosso suor. Quando você deitava sobre mim, as estrelas em volta da sua cabeça brilhavam, distantes, e às vezes embaraçavam no teu cabelo e ficavam a um palmo dos meus olhos e depois fugiam rapidamente para o céu. Você se lembra...?
- Não lembro disso porque foram seus olhos que viram. Eu estava do outro lado de você e via e sentia outras coisas. Para mim, tudo exalava de você confundido com a terra, e eu nem te enxergava direito. Eu descobria teu corpo caminhando nele com os dedos. Naquela noite o prazer e o peso de estar no mundo foram maiores que sempre. E tudo tão simples: eu e tu, sós, deitados na areia perto do mato, trocando pedaços de carne em plena noite.

Friday, September 08, 2006

Da Guerra

"Os aviões abatidos
são cruzes caindo do céu"

Mario Quintana! Tinha que ser tu.

Friday, August 18, 2006

De perto ninguém é normal

A Cíntia é uma guria que mora no mesmo apê que eu aqui no Rio Grande do Sul. Esta semana ela começou um estágio no hospital psiquiátrico da universidade. Um dos pacientes, que aliás se encantou por ela, pôs-se a examinar minuciosamente seu rosto, só que de um jeito diferente das outras vezes.
- O que foi? - Perguntou ela
- Por que você tem um brinco no nariz e não tem nas orelhas?
E ainda dizem que o louco é ele...
***
Falando nisso, há uns quatro anos, o filho de uma amiga da minha mãe que à época devia ter uns cinco, fitou curiosamente minha tatuagem nas costas e perguntou:
- O que é isso?
- Um desenho... - respondi
- E por que você não desenhou no papel?
É. As crianças e os loucos também tem razão.

Friday, August 11, 2006

Do casamento



..."Se eu tivesse casado na igreja seria a mais convencional das noivas. Só uma coisa tentaria mudar, ainda que recebesse um sonoro não: o sermão do padre. 'Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?' Bonito, mas dramático demais. Os noivos saem da igreja com uma argola de ouro no dedo e uma bola de chumbo nos pés. Seria mais alegre e romântico um discurso assim:

ELA: 'Prometo nunca sair da cama sem antes dar bom-dia, deixar você ver seu futebol na tevê sem reclamar, ter paciência para ouvir você falar dos problemas do escritório, ter arroz e feijão todo dia no cardápio, acompanhar você nas caminhadas matinais de sábado, deixá-lo em silêncio quando estiver de mau humor, dançar só para você, fazer massagens quando você estiver cansado, rir das suas piadas, apoiá-lo nas suas decisões e tirar o batom antes de ser beijada'

ELE: 'Prometo deixar você sentar na janelinha do avião, emprestar aquele blusão que você adora, não reclamar quando você ficar 40 minutos no telefone com uma amiga, provar suas receitas tailandesas, abrir um champagne todo final de tarde de domingo, assistir junto ao capítulo final da novela, ouvir seus argumentos, respeitar sua sensibilidade, não ter vergonha de chorar na sua frente, dividir vitórias e derrtoas e passar todos os natais ao seu lado'

Sim, sim, sim!!!" Eu aceito!!!!
Martha Medeiros em Trem Bala

Friday, August 04, 2006

Da definição

Sorriso: 1. ponte iluminada para o Natal; 2. telegrama assinado pela alegria; 3. tique nervoso de quem ama; 4. holofote próprio para iluminação de tocas de tristezas; 5. subproduto de noite divertida sob (ou sobre) lençóis; 6. antônimo de mágoa; 7. melhor amigo dos pirulitos de morango; 8. prévia de carnaval dentro do peito; 9. veleiro à deriva no mar da vida; 10. arrecife de pérolas; 11. cartão de visitas da gargalhada; 12. alimento preferencial da paixão; 13. muralha contra invasões bárbaras; 14. creme dental refrescante; 15. inimigo figadal do desprezo; 16. as time goes bye ; 17. um dos irmãos Marx; . (Ex.: “Vem, meu sorriso, que a vida corre depressa e é preciso descalçar os sapatos e pisar nas nuvens antes que elas amadureçam". - in Coisas de Amor Largadas na Noite, E. Almeida)

Lágrima: 1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída; 3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração; 4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus; 10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas; 13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amália Rodrigues; 15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono; 16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo; 18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente. (Ex.: "Não, isso não é lágrima, não. É que a felicidade virou mar dentro de mim e a maré acabou de subir". - in Coisas de Amor Largadas na Noite, E. Almeida)

Tanta sabedoria e poesia são do dicionário lúdico brasileiro de André Gonçalves...

Friday, July 28, 2006

Da diversidade*

Era uma vez dois meninos interessantes. Um tinha um quê de barroco. O outro um jeito romântico. O primeiro era lindo, astuto e simpático. O segundo era belo, inteligente e carismático. Eles tinham tão tudo a ver que enquanto um terminava de elaborar uma anedota, o outro já desembuchava a tal pilhéria sobre qualquer coisa inusitada que viram ou ouviram. Riam juntos então.

Mas barroco e romântico há muito sentiam a poesia esmorecer. Além de se privarem de tantas vontades comuns a todos os seres humanos, os dois tinham quase sempre que reprimir o desejo de um pelo outro. Beijos, abraços e afagos exigiam hora marcada. Até o dia em que o segundo saiu em disparada da casa do primeiro – sem nem se despedir – ao ouvir um terceiro chegar.
Ao telefone 30 minutos depois:

- Ah não! A gente tem que dar um jeito nisso! – revoltou-se o primeiro
- Mas como? – Suspirou desacreditado o segundo

De pernas elegantemente cruzadas e recostado no sofá de couro vermelho, o primeiro pensou, pensou, pensou. Pensou mais um pouquinho e acendeu um cigarro. Pensou, fumou, pensou, fumou, pensou... e oito maços depois encontrou a solução.

- Vamos embora daqui. Vamos para a Holanda! – gritou entusiasmado o primeiro.
- Holanda??? He-Hé-Hé! Agora? Como? Por que?
- Lá é um país liberal. As pessoas usam drogas no meio da rua. Ouvi dizer que tudo pra eles lá é normal... Eles todos lá são adeptos do “Movimento Vaca”: tão cagando e andando pra tudo. Por isso as vacas holandesas são conhecidas no mundo inteiro!
- Mas como a gente vai fazer pra ir agora?
- Indo! Ou você quer esperar que a sociedade mude? Eu não quero ficar protestando para que as gerações futuras possam usufruir de tudo enquanto eu já tô morto. Quero ser feliz com você agora!

Lá no outro continente as coisas eram bem diferentes. Mas tal qual a sociedade brasileira, a holandesa ainda precisava evoluir quando a questão envolvia o mesmo sexo. Voaram então pra uma ilha deserta no Peloponeso. Viveram 9 dias de paz, sem nenhum olhar ameaçador lhes dilacerando a alma. Até que a Guarda Costeira apareceu de repente. Apanharam em flagrante os dois deitados na areia, um de frente pro outro, dando risada com as pernas enroscadas. Foram presos por atentado ao pudor. Paradoxal, mas enfim...
No final das contas, o governo brasileiro pediu a extradição do casal. Apelou para o discurso da aceitação das diferenças e da necessidade de uma sociedade justa e democrática que tanto o Brasil luta pra ser. O segundo ficou empolgado:

-Agora com essa intervenção do presidente, nosso caso vai virar manchete. As pessoas vão se sensibilizar e vai ser um grande passo para vivermos em paz...

Quando chegaram no Brasil, estranharam. Nenhum burburinho sobre o episódio. Era época de campanha eleitoral e o então presidente preferiu abafar o caso. Era preferível manter o status quo a provocar polêmica. Afinal, não queria perder os votos da maioria da população do país, que era conservadora. Não podia arriscar. A justiça brasileira decidiu absolvê-los, mas os dois tiverem que assinar um termo em troca. O documento exigia o silêncio de ambos. Assim foi feito.
Fatigado, mas obstinado, o primeiro não desistiu.

-Vamos para os Estados Unidos. Lá é a terra das oportunidades, o país da democracia...

O segundo igualmente obstinado apoiou a idéia. Mas, na véspera da viagem, Bush baixou um decreto proibindo a entrada de latinos, negros, e homossexuais no país sob pena de morte. O governo americano considerava a estirpe um bando de terroristas em potencial. Era fuzilamento na certa.

O primeiro continuou pensando. Pensou, pensou, pensou. Acendeu um cigarro. Pensou, fumou, pensou, fumou, pensou... até que...

- A solução é irmos embora do planeta. Aqui não vamos nunca ser plenamente felizes...

Uniram as persistências e as inteligências. Numa nave espacial de cores modernas foram baixar num planeta distante, em outra Galáxia a qual deram o nome de “Gayláxia”. Aterrisaram num planetinha aconchegante onde a morte não existia, nem a rotina e nem domingo à noite. Do chão brotavam alimentos light, mas com gosto bom de guloseimas. No céu, um arco-íris lá pairava sempre. Construíram uma casinha no final do arco-íris, representando que tinham finalmente encontrado o tesouro.
O planeta, o segundo resolveu batizar de “Tô-nem-aí-véi”. Mas o primeiro, estritamente avesso aos erros gramaticais, fez cara ruim.

- Tem que ser Tô-nem-aí (vírgula) véi, porque o vocativo tem que ser separado por vírgula.
- Mas é só uma nomenclatura...
-Mas você sabe que eu fico agoniado com erros de português!

Ficou “Tô-nem-aí”. E eles foram felizes para sempre a milhões de anos-luz daqui. Porque na Terra eles também tinham tudo para ser feliz, só que a gente desse mundo não deixava. E é por isso que nesse texto eles não tem nome.

E 300 anos depois, o já consolidado movimento gay derrubou o regime totalitário mundial imposto pelo presidente Bush no século XXI. Os homossexuais finalmente tomaram o poder. O planeta azul ficou rosa e bem melhor de se viver.
*Baseado em fatos reais

Monday, July 10, 2006

Da independência

Sem "Cráudia" e longe de mami, tenho usado minhas mãos e pernas em prol dos afazeres domésticos. Lá no lar de Belo Horizonte me preocupava só com a organização do quarto e com meia dúzia de talheres. Agora tenho dedicado meus sábados à exaustivas faxinas, além das tarefas domiciliares do dia a dia. Estou meio que levando uma vida de estudante depois de formada. Minhas mãos estão ressequidas e enrugadas de tanto manusear e carregar baldes de água sanitária. Microondas. Putz, microondas faz falta. Como demora pra esquentar comida na panela! E toda a louça que fica pra lavar na hora da sesta?
Semana passada, mais um desafio. Diante da pilha de roupa suja me dei conta de que nunca aprendi a lavar roupa na máquina de lavar. Nunca precisei fazer isso, ué! Sabia que tinha uma parada de separar as roupas coloridas das brancas. O Igor, então, me explicou tudinho... Da cozinha, ele me viu examinando uma blusa de manga comprida:
- Que foi, amor?
- Como que faz com essa aqui? Ela é colorida mas tem três listras brancas...
- Soca na máquina, môre...
- E esse moleton laranja e roxo? Ele não vai manchar esse meu short rosinha?
- Soca na máquina, môre...
"Soca na máquina, môre". É né? Pois tirei de lá umas meias psicodélicas com manchas roxas e laranjas! Eu sei, eu sei... não há aprendizado sem manchas, certo? ;)
Tem sido divertido...

Wednesday, July 05, 2006

Da copa

Como bem falou (e disse) Arnaldo Jabor, o time da seleção jogou contra a França com a displicência de quem ganha milhões e desfila com "louronas" pelo mundo. E o pior de tudo é que eles ainda tiraram da gente os ares de copa. Sem mais bandeirolas, nem apitos, nem verde e amarelo colorindo cada esquina, nem cidade com cara de domingo em pleno horário comercial. Lá se foi junto o patriotismo e a ilusão de igualdade. Mas já viram... lá se foram os feriados e essa droga de realidade voltou mais cedo. Bando de milionários incompetentes!
Roubando as palavras do chato do Agostinho do BBB 6: "Obrigada, Brasil" !
Valeu mesmo por nos sufocar com a rotina antes do tempo!

Wednesday, June 28, 2006

Monday, June 26, 2006

Da leitura

Conclui a leitura de "Cem anos de Solidão", de Gabriel García Marquéz. A obra-prima é repleta de trechos que me deixaram incrédula e imóvel por alguns minutos. Nesse tempo, só conseguia reler, sublinhar e pensar "Puta que pariu pra esse cara". Às vezes chorava também. Não estou com o livro aqui, senão reproduziria o parágrafo sobre o enterro do Coronel Aureliano Buendía e o outro que descreve o pouso de emergência da aeronave em meio às violetas. Era emergencial para Amaranta Úrsula e seu marido deitarem em terra firme quando sentiram fome, um pelo outro, lá no céu. O livro como um todo é mais do que uma obra-prima, é uma coletânea de linhas primorosas.

Adoro quando me deparo com partes assim. Fico com cara de comovida enquanto me delicio com a sucessão perfeita das palavras. Como não tenho Garcia Marquez em mãos, coloco aqui a crônica de Martha Medeiros desta semana. Esta é outra escritora que deve chorar depois de ler o que escreve. Além de me deixar com cara de choro a cada texto seu. O desta semana me pegou desprevinida. Chorei até soluçar.

Primas,
Isso era tudo o que eu queria dizer...


A morte é uma piada

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?

Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.

Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.

Martha Medeiros

Friday, June 16, 2006

Da sinestesia

A emoção que veio vermelha
virou saudade branca
e ficou lembrança cor-de-rosa
do teu olhar azul
do meu sorriso amarelo
e daquele nosso desejo tão cor-da-pele

Martha Medeiros

Tuesday, June 13, 2006

Da procrastinação



Tem coisa melhor do quê, sem remorso, trocar a aula de ginástica por um cochilinho e uma sessão de doces?

No detalhe, um saco vazio de gelatinas formato de tubarão. Tipo aquelas que vendem no peso na "Sweet Sweet Way" e na "Honey Honey", sabem? Um dos meus vícios... mas sempre me pergunto por que essas guloseimas têm uma aparência tão repugnante: DENTADURAS, caveiras, tubarões e OVO FRITO... Pois é, gelatina doce com forma de ovo frito. Também me questiono como tais aspectos não tiram o meu apetite. Que diabos de estratégia de marketing é essa?

Falando nisso... Diálogo entre eu e Igor:

- Amor, vou na padaria.

- Ai, amor! Compra dentadura pra miiiiiiim - pedi manhosamente

- Dentadura?! Nunca vi isso...

- Môre, você acha na última prateleira, perto do freezer.

- E fica dentro de um copinho com água?

Ele não achou a dentadura. Mas trouxe um saquinho de gelatinas de cobrinhas e uma caixa de ferrero rocher. :)

P.S- A foto foi tirada por Quel que sucumbiu à graça da cena.

Monday, June 12, 2006

Do amor

É de Bearzi...

Igor dá gosto e cheiro ao amor
Ele tem gosto de beijo roubado atrás da árvore,
de alegria de menino moleque
quando pega fruta do pé.
Tem cheiro de flor de enfeitar cabelo de menina faceira,
de bolo de fubá com café,
de obra de arte de vó...
Igor não é só um namorado...
é infância que não acaba nunca!

Ele também tem aquele gosto bom de quando a gente troca o salto pelo chinelo...

Amor,
Hoje é dia dos namorados, mas dia 20 é dia de nós dois!
Por favor, Papai do Céu, faz a Terra girar mais rápido pro dia 20 chegar logo...