Monday, April 27, 2009

Da cachaça


Fotógrafa sensacional: Nathalia Turchetti
Modelo desvairada: Sabina insustentável (a garrafa é meramente ilustrativa e sem conteúdo alcóolico. Sabina Insustentável não bebe e o texto é inspirado em experiências alheias)

Era bom que, quando a gente tomasse uma, qualquer tipo de meio de comunicação deixasse de funcionar. Detectado o bafo do álcool, um dispositivo poderia ser acionado e o celular, msn e afins seriam automaticamente desligados. Infelizmente, a microsoft e as operadoras de celular ainda não perceberam o perigo da combinação bebida-produtos eletrônicos. Nem o Ministério da Comunicação... que poderia advertir: o álcool combinado aos meios de comunicação destroem a moral.

Thursday, April 23, 2009

Dos canalhas



Mais uma das peças de bar.
Sozinha, aguardando a chegada de um amigo, não pude deixar de prestar atenção em oito mulheres sentadas na mesa ao lado. Resumo da conversa entre todas: Homem cafajeste é que nem cigarro: vicia, dá prazer, mas faz um mal do caraio.

Ah! E a maioria dos "homens-cigarro" são batizados com uma misturinha alucinógena...

E a mulher fica tonta, vendo coisa, enxergando um futuro que nem existe.


vai um aí?

Wednesday, April 22, 2009

Da essência



Pandora sempre foi uma caixinha de surpresas. Desde pequena surpreendia a famiília com sua sagacidade e jeito imprevisível. Começou a ler antes de aprender na escola. No carro com a mãe, o jornal em cima do colo, soletrou uma palavra da manchete principal: PE-CA-DO. A mãe quase bateu o carro de susto... e orgulho. Mal sabia ela que há muito Pandora costumava segredar para si as palavras dos outdoors da cidade. Tinha só cinco anos.
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Cresceu ouvindo que o sexo feminino deveria prezar a independência porque os homens não prestam. Com 16 anos e corpo de mulher começaram os estragos. Aos 22 - estagiária de uma empresa de comércio exterior -, de tailler moderninho e salto agulha, pisoteava corações masculinos. O figurino era recheado com um corpinho de 1.75 m e clássicas medidas 90-60-90.
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Aos 25, já contratada pela empresa de comércio exterior, as medidas mudaram. Ela não. A primeira e a última ganharam alguns ml de silicone: 96-60-102. Números não mais arredondados, em compensação o corpo sim. Este também ganhou mais adeptos.
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Cercada de "homens vazios", como ela mesma dizia, fazia do jogo da sedução seu melhor passatempo. E o sofrimento dos pobres que se achavam pretendentes, sua melhor recompensa. Cultivava nos outros os pecados da luxúria e da ira. Controlava a avareza, a gula e a preguiça. Despertava a inveja feminina. Emanava soberba.
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Aos 29, funcionária pública bem sucedida e residindo nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas, perdeu a graça de viver. Sentia falta de um bração constante que a envolvesse na hora de dormir. Alguém do sexo oposto para lhe fazer carinho no domingo à noite. Pra brindar um cálice de vinho tinto num dia feliz. Pra brigar pela fatia de bolo mais recheada. Queria um filho.
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Conheceu Matoso, nordestino da porra, funcionário público em estágio probatório. Bonitão, morenão, machão, diferente dos tipos modernos e sensíveis a que tinha se acostumado. Ficou louca. Ele cultivou nela a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Ela passou a despertar a compaixão feminina quando deixou a soberba embrulhada na gaveta da escrivaninha do Matoso. Aos 32 casou, teve 3 filhos homens e emendou a licença maternidade com o trabalho doméstico.
Pandora descobriu-se Amélia...

Tuesday, April 21, 2009

Da música



E eu que não costumava usar Ipod, colei música nos ouvidos nos últimos dois dias.
Não é que as ruas ficaram bem mais bonitas com trilha sonora?

Monday, April 20, 2009

Do filho do autor

Ontem, mal humorada e a muito custo, abri o livro para estudar. "Tudo que é sólido desmancha no ar", uma análise da modernidade feita por Marshall Berman. Ainda no prefácio, no último parágrafo dele, meu coração ficou do tamanho de uma jujuba:
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"Logo depois de terminado este livro, meu filho bem amado, Marc, de cinco anos, foi tirado de mim. A ele eu dedico Tudo que é sólido desmancha no ar. Sua vida e sua morte trazem muitas das idéias e temas do livro para bem perto: no mundo moderno, aqueles que são mais felizes na tranquilidade doméstica, como ele era, talvez sejam os mais vulneráveis aos demônios que assediam esse mundo. (...) Manter essa vida exige talvez esforços desesperados e heróicos, e às vezes perdemos. Ivan Karamazov diz que, acima de tudo o mais, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar" (BERMAN, 1981, p.14). Essa última frase grifei até furar a página.
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Já fechei o livro ainda no início (como bem podem comprovar na página da citação) e fui pesquisar sobre o Berman e seu filho. Me encantei pelo teórico e seu otimismo. Sobre Marc, segundo o comentário de uma duvidosa menina em um blog, parece que ele caiu da janela. O que não deixa de fazer sentido de acordo com a dedicatória. Para além de interpretações de cunho histórico e econômico como fez Marx em seu Manifesto Comunista - lugar da frase que dá título ao livro do Berman - o caso ilustra bem como, hoje em dia, mais do que nunca, Tudo que é sólido desmancha no ar. Contraditoriamente, o que deve ser fixo, rijo e certo, num instante vai-se embora: a vida, de uma hora pra outra. "A rotina diária dos parques e bicicletas, das compras, do comer e limpar-se, dos abraços e beijos costumeiros, talvez não seja infinitamente bela e festiva, mas também infinitamente frágil e precária" (BERMAN, 1981, p.14)
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Depois desse trecho e da pesquisa na internet, devorei o livro. Também recomendo as páginas depois do prefácio. Analítico sem ser chato, o livro é feito com sensibilidade. Mais um caso em que o sólido se desmancha no ar.

Friday, April 17, 2009

Da saudade, da saudade...

Eu e meu amigo publicitário Bê Sant'anna falávamos hoje sobre saudade. No seu blog (http://besantanna.blogspot.com/), ele escreveu que "A saudade longe é difícil. A saudade perto é phoda". Minha primeira reação diante dessa frase que parece mais não é paradoxal, foi uma cara de "hã?". Mas depois, por experiência própria, entendi o que de tão lindo Bê disse. Para mim, ele quis dizer o que escrevi logo ali embaixo, uma frase da crônica de Martha Medeiros, que eu lembrei quando senti... e ainda sinto: "Saudade é não querer saber e, ainda assim, doer". E é bom viver para entender coisas assim, de uma dor que substitui outra, como essa saudade que a gente escolhe ter esperando que o tempo apague o que antes doía, mas não era saudade...
Essa, sem dúvida, é mais phoda que a geográfica saudade de quem, inevitavelmente, está longe. Saudade longe tem cura alegre. Saudade perto machuca até ir embora.
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Coloco em seguida mais um trecho dessa crônica da Martha que, como bem disse Bê, "'É isso":
(...)A saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
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P.S- No Blog da Mari (http://passagemparabelem.blogspot.com/), tem a crônica na íntegra. Três blogs linkados pelas cabecinhas aí do lado, como fofamente diz a Mari em um post seu, e pelo tema saudade...

Wednesday, April 15, 2009

Da gula compartilhada


Não dá para ver, mas, na mesa, restinhos de filé empanado com molho de gorgonzola
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Depois de uma temporada na Europa, meu amigo Klaus decidiu controlar a alimentação, achando que ganhou quilinhos a mais fora do Brasil. Também pudera, já viajei com o Klaus e vi que ele é dos meus... tem alma de gordo! Difícil resistir a uma fritura, fast food, pizza com um metro de recheio e tantão de queijo que, puxado pelo garfo, tem uma elasticidade que vai no teto (ai, lembrei da de palmito da Pizzaria Guanabara!) e todas essas besteiras que fazem o acúmulo suado de exercícios físicos constantes irem para o saco num único feriado em que saímos da rotina.






Para se ter uma idéia, nosso cardápio numa manhã carnavalesca na praia de Ipanema:





  • antes de chegar na praia, paradinha na lanchonete para um enrolado e coca normal (no feriado coca normal pode)


  • já na praia de Ipanema, (muita) cerveja, milho cozido, queijo na brasa, biscoito O Globo, Castanha de caju (ou seja, tudo que passou pela nossa barraca)


  • No caminho para a praia do Leblon, R$ 7,50 no sorvete magno de doce de leite transportado no carrinho, por isso mais caro. E condeno o Klaus por ter me aplicado nesse magnífico sorvete, hoje mais uma tentação a resistir.


  • Na praia do Leblon, alguns coliformes fecais que provavelmente ingerimos durante o mergulho que não deveríamos ter dado.

Enfim, Klaus voltou da Europa decidido a fazer dieta. Telefona e me chama para um açaí. Penso: "Poxa, tá saudável mesmo". Acordei com essa ligação dele, fome danada, fazendo jus à comunidade mais bem bolada do orkut "comer dá sono e dormir dá fome". Numa vontade sem igual de comer Mac, pensei comigo mesma sugerir a comida do Ronald convicta, claro, de que ele não ia negar (era domingo. No domingo pode). Saio da portaria, vejo-o na janela do carro acenando e dali mesmo grito: "Quero Mac!!!". Ele gritou de volta: "Ah, não!". Penso no trajeto portaria-carro do Klaus: "Poxa, ele tá determinado mesmo". Mas ao entrar no possante, fechando ainda a porta, escuto: "Animo da gente comer na Mac e depois ir na easy ice comer o açaí". Rá! Esse é o Klaus. Somos nós, aliás.





P.S- Na fila da Mac, com vontade de Mac Duplo, mas querendo a maionese do Mac Chicken, fiquei com preguiça do martírio da dúvida hamletiana... e pedi os dois. Klaus, querido amigo médico, um apelo! Se quiser continuar sendo meu amigo, mude de especialidade. Cirurgia Plástica, por favor. Nesses tempos em que temos andado juntos, o sol tem brilhado mais e as noites têm sido mais iluminadas. Mas a lua cheia não precisa brilhar na minha cara !




Saturday, April 11, 2009

Dos conceitos

Fazer um mestrado em busca de mais conhecimento. Esse foi o meu propósito maior. Nem sabia (e continuo não sabendo) se iria enveredar pelos hoje-sei-tortuosos caminhos acadêmicos. Escolher o curso de Letras, foi no intuito mesmo de ampliar o saber, adentrando noutro universo das ciências humanas que não o da minha graduação, o jornalismo. Mas as coisas não foram tão românticas como eu imaginava. Penderam mais para o deprimido poema do Beco* de Bandeira ou para um desaforado Gregório de Matos, quando da melancolia e desânimo eu atravessava para a fúria emitindo impropérios pela minha boca que mais parecia do inferno.
Além do trio de professores tiranos que o levado destino me aplicou, a teorização de determinados conceitos me irritavam profundamente.
O QUE É LITERATURA?
Eu pensava cá comigo "sei lá, porra", sentada, dura, numa cadeira pra mim elétrica, com aquela stalinista de sotaque venezuelano me encarando com um fuzil nos olhos e fazendo essa pergunta idiota. Depois fui pensando meu conceito e, como jornalista, já tenho um pronto: "Literatura é escrever sem apurar" e ponto final.
Me irritava mais ainda as teorizações sobre a diferença entre autor e narrador, as discussões sobre a morte do autor (af!) e qualquer outra bobajada que me fez, por dois anos, não ler um livro levemente... como eu lia antes do mestrado. Tentar fazer da literatura uma ciência? Então tirem a graça dela como bem o fizeram nesse programa de pós-graduação (não sei dos outros pelo Brasil, falo da minha experiência)!
E naquele tempo de teorias "profundas" ia me dando saudades da aurora da minha vida, minha infância, quando eu tinha só que responder perguntas do tipo:
- O que é o vento, Patrícia?
-É o ar em movimento, professora.
Resposta simples e direta. Mas que pelo menos faz um sentido danado.
*O poema do Beco para quem não conhece:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco
(Manuel Bandeira)

Tuesday, April 07, 2009

Do Harold

Querido amigo,

Ontem, 6 de abril, pensei muito em você. Tentei ligar, mas acredito que o telefone salvo na agenda está desatualizado. Mas já prestes a dormir, alta madrugada, triste por não ter conseguido falar com você, tive a idéia de registrar no meu blog os parabéns e o carinho que sinto.
Para quem não conhece o Harold, aproveito para apresentar no meu espaço. Amigo desde a quinta série, peça rara do naipe fundão, hoje pai de uma menina que tem nome de prima-irmã. Mesmo ele deixando o colégio na sexta série, um ano de convivência foi suficiente para uma cumplicidade sem fim...
O que mais me encanta nele, é a amizade leal. Estivesse eu em Recife, Brasília, BH ou Rio Grande do Sul, ele sempre deu um jeito de me encontrar e ligar nas datas especiais: aniversário e natal. Eu também tento, Harold. Mas embora jornalista, não tenho esse seu faro detetivesco. Mas saiba que não passei nenhum 6 de abril sem pensar em você. E assim vai mais de uma década de amizade em que não deixamos de nos falar um ano sequer. Ainda bem que hoje em dia temos a tecnologia diminuindo fronteiras e saudade, embora a saudade nunca mude. E também proporcionando a chance de burlar a minha falta nos anos em que deixei de ligar: tá aqui carimbado e declarado nesse texto singelo, postado no dia 7 de abril, que eu nunca me esqueço.
E, por favor, me mande seus números de telefone.
Com amor todos os dias... 6, 7, 8, 9... de todos esses anos e dos que virão,
Pati.

Monday, April 06, 2009

De ultimamente

Suldades.

Suldades do que foi bom
naquele lugar longe que, agora de longe, sinto casa.
Do outono e da primavera lá
e de quem faz suldade existir.
Uma ponta de saudade de mim
antes de tanta suldade sentir
P.S-
virei oitenta por cento de ferro na alma...
Só que, pra mim, Santa Maria (ainda) é mais que um retrato na parede
Mas, tal qual Drummond, como dói...
Parodoxal?
Sentir suldade também é.

Tuesday, March 24, 2009

Do(s )ato(s)

sem paixão, nem um chicabom...

Nelson Rodrigues

Monday, March 23, 2009

Da saudade de novo...

Saudade é não querer saber e, ainda assim, doer...

Monday, March 09, 2009

Do calafrio

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
do bem que ele me faz
(O meu amor - Chico Buarque)

Adoro essa música e como ela descreve os sentidos!
Salve Chico!

Monday, March 02, 2009

Da conquista

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. Então fique comigo quando eu chorar, combinado? Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica, mas cozinhe. Aprecie os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate, mas de boteco. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. Goste de futebol e discuta comigo se torcemos para times diferentes. Não invente de querer muitos filhos, me carregar para a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... me esqueça... ou experimente me amar!

(Texto de Martha Medeiros levemente alterado para atender às minhas preferências)

Thursday, February 19, 2009

De uma mente com lembranças

Não. Ele não é meu.
Nunca se apercebeu de meu sorriso triste
o mesmo nas tantas despedidas
que aparecia no rosto com o medo da falta de zelo

E isso só em mim
Doía ver-te ir embora sem me dar teu amanhã
fazendo todas as noites parecerem a última.

Tu também não 'via' que meu olho brilhava era de dúvida
de raiva
pelo apego incoerente
de querer quem me maltrata por dentro

Você nunca esteve por horas e horas
Nem me alimentou com promessas
O que foi nobre
não me iludo.
definho sem brilho
cansada do efêmero que é,
que foi
e não será.

E eu que já consigo gostar de mim
e tentando não me render,
vou me consumindo
na eterna incoerência hilstiana de desamar, amando
quem nunca me amou.
E (me) lembrando-te, fazedor de desgosto,
Que um dia te apago de mim.

Tuesday, February 10, 2009

Da minha descrição...

... segundo um amigo jornalista de Brasília:


"Desembarcando em Brasília, toda vestida de preto, como se tivesse acabado de desembarcar em Helsinque, indo para a esquerda errada"...

"vc vê novela loucamente, lê graciliano ramos, consegue beber feito um gambá, fica loucamente feliz com um saco de balinhas e faz manha quando quer uma coisa, cozinha (!?), consegue ser interessante e engraçada. e às vezes grossa e injusta (hehehe...), ou seja, uma caixinha de surpresas. não consigo colocar vc nos meus tubos de ensaio, got it?"

Tuesday, February 03, 2009

Da conversa "amigável"

No msn conversando com um amigo. Ele, mestre em sutilezas, adora escrever gracinhas sobre a minha cutis branquela-européia. E eu revido falando da sua tonalidade afro. Eis o diálogo:


Bob diz:
cara de máááááármore!
PaTs- diz:
cara de buchada de bode
Bob- diz:
Albina
Bob- diz:
hahahahaha
PaTs- diz:
coitá docê
Bob diz:
Tapiocu
Bob diz:
cara de bunda com pó de arroz
Pats diz:
Af!
Bob diz:
Ah, vai estudar, cara lavada de água oxigenada!
PaTs- diz:
burro piolhento
PaTs- diz:
nao evoluiu junto com a especie
Bob diz:
E tu que é uma esquimó que não pode nem andar pelada na neve se não te perdem...
PaTs- diz:
crime perfeito: te matar e jogar num monte de merda. nunca vao achar o corpo.
Bob diz:
esconderijo perfeito: esconde no armarinho do banheiro, todo mundo vai achar que é uma mini bolinha de algodão
PaTs- diz:
que bonitinhoooooo
PaTs- diz:
vou copiar e botar no orkut
Bob diz:
vou cobrar
PaTs- diz:
melhor : vo botar no blog nossa conversa
Bob diz:
e eu vou te cobrir de porrada pra ver se você fica parecendo um algodão menstruado
PaTs- diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
PaTs- diz:
isso vai entrar tb
Bob diz:
Vou te mostrar o que vai entrar, OMO.

A gente se "ofende" soltando risos cada qual atrás da sua tela. E quando encontra, é que nem brother: E aí, veado, beleza?
Sim, dá para brincar com coisa séria e deixar o tabu mais leve.
Pela paz inter-racial!

Monday, January 26, 2009

Do filme O Curioso Caso de Benjamin Button

Assisti ontem. Desde que passou o trailer no cinema quando fui ver Vicky Cristina Barcelona (Sensacional! Woody Allen, sou suspeita em opinar), achei a idéia do filme interessantíssima. Um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo com o passar do tempo. Alguém, cujo relógio da vida anda ao contrário. Imediatamente lembrei daquele texto atribuído ao Chaplin que já muito circulou na internet... e que diz mais ao menos que o ciclo da vida é injusto. Devíamos primeiro morrer logo para ficar livre disso duma vez. Envelhecer, ficar jovem, criança e voltar para o útero da mãe onde tudo terminaria num orgasmo. A originalidade rende uma bela reflexão. Por que não um belo filme? Nada. Depois de quase três horas sentada, quando as luzes acenderam, virei para a cadeira de trás onde estava a minha mãe e disse: Odiei! Ela: eu também, com cara de sono. Flagrei mainha dormindo quando, lá pelas tantas do filme, o Brad Pitt aparece tal como ele é, lindo e jovial, cachecol esvoaçante, em cima de uma moto. Virei com o sorrisão no rosto para mainha que, para minha decepção, nessa hora dormia. Perdeu o melhor do filme: o Brad Pitt quando fica gato.
O longa é ruim porque cheio de clichês. A começar, a história é narrada a partir do diário do Benjamin que vai parar nas mãos da sua amada. Esta, bem velha, se encontra no leito de hospital, à beira da morte, enquanto ouve a filha ler as páginas e vai rememorando, saudosa, os dias que passou ao lado da grande paixão da sua vida (Titanic sem navio?). Além do clichê de se encontrar moribunda, o filme resgata a pieguice do amor único e eterno, tão combalido nos dias de hoje. Dá vontade de levantar e ir embora numa das cenas finais. Não vou contar porque pode ser que alguém se atreva a ir ver o filme. Mas dou uma dica: se passa na janela do hospital.
Eu ontem bem que sugeri a mainha para vermos "Queime depois de ler". E quase fomos. Cheguei a ouvir ela perguntando pro seu namorado: "Por que não vamos assistir o filme que a Pati disse, 'Rasgue e Jogue Fora?'". Quem conhece minha mãe, sabe como ela é mestre em trocar os nomes das coisas. Pelo menos em Queime depois de ler, se for ruim (não vi ainda), ela não correria o risco de perder a única parte boa do filme... Neste, Brad Pitt está lindo e jovem o tempo todo.

Friday, January 16, 2009

Do paradoxo

Eu me odeio por me importar com você.

Wednesday, December 31, 2008

De 2008

Balanço sentimental de 2008.

Fim de namoro tipo casório logo no início do ano. Sozinha com muitas garrafas de champagnhe, perdida no Rio Grande, minhas amigas de férias em suas respectivas cidades. Mas quando voltaram, ao lado delas, baladeiras e solteiras, o resultado não podia ser outro senão badalação. Primeiro dia na night totaly alone, vestido decotado da Rebeca, ainda mais ousado no meu quadril tiquinho maior que o dela, rumamos para o Coyo, a nossa boate favorita no primeiro semestre.

Homem bonito não faltava. Mas estava desacostumada com a calhordice dos machos depois de 3 anos com um homem decente. Procurando o toquinho da Rebeca que estava chorando atrás do balcão (para desespero dos garçons) em busca da cartela que estava na minha bolsa, esbarrei com um cara lindo, camisa branca de botão e manga comprida, um pouco aberta, mas sem ser peão. Depois de uma conversa básica, ficamos. Mas ele acabou confessando que tinha namorada e começou a falar do quão ruim estava seu relacionamento. Mas de psicóloga passei a paciente. Comecei a chorar falando que tinha acabado de terminar meu namoro. E fui pra casa de cara borrada.

Depois, no mesmo Coyote, encontrei um cara bonito e bacana. Ele trabalhava lá e sempre saía pela porta dos fundos quando estavam no lugar mais de uma menina que ele costumava ficar. "Graças a Deus existe aquela porta da cozinha", confessou numa noite. Mas eu achava graça. Ele sabe. Éramos Tomas e Sabina. E eu voltava para casa de sorriso no rosto.
No meio tempo teve o jornalista legal que só conhecia de vista e com o qual conversei virtualmente. As palavras dele me fizeram chegar a seguinte conclusão: "Porra, acho que meu destino é casar com um jornalista. Eles tem a manha do que escrever". Os textinhos no preto e branco do msn ficavam coloridos a cada resposta dele. Contei os dias para encontrá-lo. Ele não mora mais em BH e aqui veio umas duas semanas depois das conversas virtuais. Escolhi um lugar romântico e me vesti que nem moça para casar. Vestidinho amarelo florido até o joelho. Bolsinha creme, tom sobre tom. Sandália alta, lógico. Louca para ouvir frases coloridas. Mas na mesa só pensava na música relicário: "O que está acontecendo? Milhões de frases sem nenhuma cor". Peraí. Milhões? Não. Ele não falava. E enquanto eu tentava puxar conversa, ele dormiu duas vezes sentado na mesa com velas e garrafas de vinho. Ow, calma aí. Não era para dormir. Resultado: voltei para casa frustrada. De novo.

O outro jornalista, "meu futuro marido" nas palavras da minha grande amiga enganada, também rendeu apelos a Nosso Senhor protetor dos homens idiotas. Depois do estilo namoradinho perfeito, se revelou. Num bar, um colega em comum com muita cachaça na cachola chegou em mim. O amigo do "meu futuro marido", nobremente, tomou as dores. Mas, para meu espanto, o pretendente colocou a culpa em mim. Será que minha calça saruel tava muita justa? E ainda tive que escutar meu primo gaiato cantar Vander Lee no violão o dia inteiro seguinte: "Morro de saudade, A CULPA É SUA". Sem contar que saí dirigindo transtornada e detonei o carro em duas pilastras que apareceram no meio da garagem. Voltei para casa com prejuízo financeiro de mil reais. E afetivo de um amigo e um pretendente a menos.

E, por último, o meu ex-amigo modelete com o qual nunca tive pretensões maiores. Desde a época da faculdade, eu dizia em relação a ele: "Lindo, mas nunca pegaria". Só que, um dia, depois de um enterro e vontade sem igual de curtir a vida, estava doida para sair. Percorri toda a minha agenda telefônica. Os amigos le(g)ais não estavam disponíveis. Contrariada, fui ver televisão. Efeito Borboleta. Me aparece Ashton Kushner na tela. Lembrei do modelete que com ele se parece. Estávamos combinando de encontrar desde que voltei para a capital mineira, mas sem segundas intenções. Pelo menos da minha parte. Entrei em contato com ele que ia para um lugar com um amigo. "Opa, pelo menos vai um amigo. Nada de esquema então", conclui. Mas para minha bela surpresa, o dito amigo não foi. E eu me amiguei com um cara legal que conheci lá no lugar. E ainda tive que ouvir o modelete falando para o meu ficante: "Você sabe que você não é 10% do que eu sou, né?". E, como se não bastasse, passou meu telefone para um carinha com bigodinho ralo que me pediu cigarro a noite inteira. Ah. E o cara legal que eu fiquei? Descobri que tem namorada. Qualé Nosso senhor protetor dos homens idiotas??? Voltei para casa desiludida.
Conclusão: em geral, os caras que rondaram por aí em 2008 são boy putões*, tem namorada ou as duas coisas.

Para 2009? Eu quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. E um pouquinho de malandragem da minha parte também.

*Boy putão: espécie de homem cuja definição ainda está sendo elaborada pela minha pessoa. Mas já diagnostico o tipo empiricamente. O espécime será objeto de um texto próximo...