Wednesday, March 10, 2010

No cursinho, a aula era de português para concursos. A professora escreve no quadro:

"Prefiro a água a cerveja"

- Qual o erro da frase? - pergunta a professora.
- A ordem de preferência está invertida - responde a aluna expert Kamilla.

Mandou bem, amiga. Com tanta astúcia assim, você vai passar em primeiro lugar. Concursada, grana não vai faltar para inverter(mos) a ordem várias vezes.




Tuesday, January 26, 2010




Não quero outro olhar
outra boca
outro beijo
não quero outra mão
outra carícia...
Minha saudade é específica
(Elisa Lucinda)

26 de janeirodesamparo

Tuesday, January 12, 2010

Dos tempos modernos

Clique na imagem para aumentá-la

Tuesday, January 05, 2010

Daquela que deixou de enxergar com os olhos





A menina de olhos verdes não queria olhos claros.
A pequena foi para o sol. Estirou-se na areia, de olhos bem abertos. "Acho que assim eles escurecem", pensou.
Desde aquele dia, não enxergou mais. Com a cegueira, os antes "zói" bonito, ficaram meio acizentados.
A partir de então, mesmo que só para si, todos em volta segredavam que ela deixou de ser bonita.
Mas, para ela, o mundo ...
ah!
o mundo começou a ficar lindo.

Thursday, December 17, 2009

Dos futuros amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber...


(Chico Buarque, sempre a calhar)

a música: Futuros amantes: http://www.youtube.com/watch?v=59P64-TtOKY



Friday, December 11, 2009

"A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Tão simples. A gente se afastou um pouco, só para ver melhor como eram bonitos nossos corpos nus (...), iluminados pela fosforescência das ondas do mar. Plâncton, ele disse, é um bicho que brilha quando faz amor.
E brilhamos."
.
.
.
(Caio Fernando Abreu - Morangos Mofados)Justificar

Thursday, November 19, 2009

Do ponto final.

Ela teve uma notícia que não esperava (pelo menos nem tão cedo). Logo no dia do seu aniversário, quando coisas ruins costumam acontecer. A maldição de 2008 foi essa. Não que ela ainda pensasse ou tivesse esperanças com ele. Mas não sonhava que ele seria tão fraco a ponto de fazer o que fez. Embora todo mundo a tivesse alertado. Primeiro foi o choque. O susto. E um sonoro: "Não acredito". Nos dois dias seguintes, outras lembranças surgiram e ela foi se sentindo usada e enganada. O peito apertou de um jeito, mas não a ponto de fazê-la chorar para parar de doer. De repente, viu uma menina maltrapilha na rua e explodiu num choro convulsivo. Porque como diz uma amiga dela: "sem lesão não há pranto". Mesmo que a lesão não tenha a ver com o contexto. O choro desceu soluçado e os óculos escuros, ela deixara em casa. E nem insufilm tinha o carro para que ela pudesse desabar descontrolavalmente sem os olhares dos carros vizinhos naquele sinal que jamais abria. Era um choro de redenção, de alívio, libertador e, ao mesmo tempo, de raiva por ouvir (ouvir não, descobrir) e viver (pelo menos depois do fim e de já desapegada dele), o que todo mundo dizia que aconteceria... os tais avisos daquela época em que ela era cega de paixão e acreditava ser a exceção da regra dos casos assim. Isso porque pautava-se não na vida, nem nas palavras dos experientes amigos e da mãe, mas nas palavras dele.
Ela olhou no retrovisor e viu que seu rosto já era indisfarçável. Olhou para o lado meio embaraçada e viu que um moço fazia sinal para que ela abaixasse o vidro. Ela abaixou meio de cabeça baixa para ele não se assustar tanto com seu rosto borrado de rimel. E ele gentilmente perguntou:

- Está tudo bem?
- Vai passar... - ela disse finalmente acreditando

A trilha sonora do caso:

Sunday, November 15, 2009

Do desabafo

Reflexões de uma amiga querida que está pensando num fim próximo:

Ainda olho pra ela com meus olhos de loucura. Eu olho pra ela e vejo o "meu pra sempre".
Só sei que se a gente se separar eu tenho que encontrar uma forma de não procurar por ela em todas as outras pessoas. É isso que eu sei... porque ela é tudo que sei amar, tudo que sei admirar. Eu queria ser como ela: bonita, forte decidida. Então ela é meu caminho. E agora como faço se meus pés só decoraram os caminhos dela? Ninguém me ensinou a desdecorar uma história.

Esse desabafo foi digitado: poesia via msn. Foi das coisas mais lindas que já ouvi. Ela fala de crise, de possível separação..., mas, paradoxalmente, também quero um amor assim.
Força, amiga. É incoerente mesmo desamar amando. Mas um dia vem, todo dia, atrás do outro.

Wednesday, November 11, 2009




Recebi, neste fim de semana, a visita de Ana e Carol, duas amigas de Recife dos tempos de colégio. O presente se encheu de nostalgia. As lembranças da cidade onde eu nasci vieram boas, ganhando mais cor. ;)

Mal elas desceram no aeroporto de BH, já fomos direto para minha casa nos arrumar para a balada, pois o tempo de estada das meninas era curto. Depois de troca-trocas de brincos, roupas, sapatos, maquiagens e fofocas, chegamos no escolhido lugar. Meia hora foi suficiente para que eu comentasse tristemente:

- Minha gente, tô me sentindo um cocô nessa boate... O povo não olha pra gente! O nariz é tão em pé que o olho passa por cima da nossa cabeça. É bem diferente dos lugares mais "alterna" de BH...

Alguns minutos depois, vejo Ana conversando com um menino. Cheguei saltitante:

-Aê, Ana!!!! Um cara aqui falou contigo!!!! Tá com tudo héin?
- Não pow, é que ele derrubou minha bebida e tava pedindo desculpas...

Bom meninas, ao menos eles são educados. Da próxima, a gente dá uma passadinha antes no Alambique*. Depois de um sonoro "Ê lá em casa...", a gente vai se achando (mais!) para a dita boate onde todos são invisíveis até o álcool subir...


*Alambique: Boate de BH onde te chamam de musa do Brasileirão. Ideal para depois dum pé na bunda.

Saturday, October 31, 2009




Estou lendo o livro "A filha do canibal", da escritora espanhola Rosa Montero. O livro começa nos transportando para um cenário inusitado: a porta vai-e-vem do mictório do aeroporto, por onde Ramón, marido da protagonista Lucía, entra... e não volta. De lá, ele simplesmente evapora, desaparece (alguém já teve vontade de escapar assim?). Algumas páginas adiante, refletindo sobre a ausência do marido, Lucía descreve com maestria a vida de 99,99% dos casais da vida real:

"Mas nessa noite, na cama, aturdida pela incompreensibilidade das coisas, me surpreendi ao sentir uma dor que não experimentava desde muito antes: a dor da ausência de Ramón. Afinal, fazia dez anos que vivíamos juntos, dormíamos juntos, suportávamos nossos roncos e nossas tosses, os calores de agosto, os pés congelados no inverno. Eu não o amava, ele até me irritava, havia muito tempo que eu analisava a possibilidade de me separar, mas ele era o único a me esperar quando eu voltava de viagem e eu era a única a saber que ele friccionava minoxidil na careca todas as manhãs. A cotidianidade tem esses laços, a intimidade do ar que se respira a dois, do suor que se mistura, a ternura animal do irremediável. E naquela noite, insone e desassossegada na cama vazia, compreendi que precisava procurá-lo e encontrá-lo, que não podia descansar até saber o que lhe havia acontecido. Ramón era responsabilidade minha, não por seu meu homem, mas meu costume"

Pro trecho, cabe até trilha sonora. Chico Buarque: "Vão viver sob o mesmo teto, até que a morte os una. Até que a morte os una..."

A todos, desejo o 0,01%!


Wednesday, October 28, 2009

Da filosofia de folhetim


Eu já assistia...

Sim, eu vejo novela. Principalmente as de Manoel Carlos. Não perco uma! Embora "Viver a Vida" esteja far away da realidade, algumas cenas fogem à regra. Ontem, Alinne Morais na pele de Luciana, discutiu pela milésima vez com a madrasta da mesma idade, Helena. Julgando-se mais experiente, a personagem de Taís Araújo sabiamente falou:

- Não atropela a vida, Luciana. Deixa ela fluir...

[Plim!, ativou-se uma luzinha lá dentro]

Luciana resmungou. Mas, mesmo assim, valeu, Helena... peguei o conselho pra mim.

Monday, October 26, 2009





"Na vida e no amor, não temos garantias.Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...." (MM)


Que medo é esse de se ver só com a própria companhia?

p.s-Achei o texto na íntegra neste blog (o crédito está para Arnaldo Jabor, mas creio ser de Martha Medeiros): http://ppaiotti.nireblog.com/post/2008/07/23/sempre-acho-que-namoro-casamento-romance-tem-comeco-meio-e-fim-como-tudo-na-vida-detesto-quando-escuto-aquela-conversa

Tuesday, October 20, 2009

Da Vida*


Só vive quem passa e fica, fica e passa, pelos caminhos desse chão


Em um texto do seu novo livro "Doidas e Santas", Martha Medeiros diz:
"Pessoas com vidas interessantes não têm fricotes. Investem em projetos sem garantias. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida"

Comprei passagem só de ida numa loucura de amor por ele, oposto de mim. Foi o meu mais recente ato desencadeador de uma vida mais interessante. Dois anos depois, passagem só de ida de volta para casa. Sem o amor e a paixão que me moveram, mas com vários amigos (inclusive meu ex-amor que ainda é amor de outro jeito sereno) e um título de mestre. Das outras coisas que Martha enumera, também ousei, passei e pensei que huuuuuuuuum...
até que minha vida é interessante...

*Repostagem!!! Falta inspiração, mas nada que uma voltinha pela cidade não resolva.

Sunday, October 11, 2009

Da conquista




Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. Então fique comigo quando eu chorar, combinado? Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica, mas cozinhe. Aprecie os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate, mas de buteco. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.


Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. Goste de futebol e discuta comigo se torcemos para times diferentes. Não invente de querer muitos filhos, me carregar para a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixe eu dirigir o seu carro. Quero ver você nervoso, inquieto, (não!) olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Chore e eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... me esqueça... ou experimente me amar!

(Texto de Martha Medeiros levemente alterado para atender às minhas preferências)

Friday, October 02, 2009

Saudade do futuro
que não veio
nem passou


d e
s

man
c
h
ou

Saturday, September 05, 2009

Da cidade de São Miguel do Gostoso-RN



Mas quem vai pra lá também é pra ficar fora de área e temporariamente desligado.
Vontade de ficar assim...

Saturday, August 08, 2009

Do selinho




Esse mimo eu ganhei da Flavi (http://bonitadocepimenta.blogspot.com/)

Tarefas:

Listar 5 desejos (todos materiais)

-Um apartamento colorido e moderninho

- Um closet gigante preenchido com muitas roupas devidamente penduradas

- Estantes, muitas estantes, com livros a perder de vista, indo quase janela afora

- Um notebook pequenino e cor de rosa

- ultimamente também tenho pensado em um par de próteses (hahahaha)

Cinco características minhas:

- apaixonável

-apaixonante

-crítica

-ambiciosa

- sui generis

P.S- hoje estou me achando!

Blogs que indico:

http://grazimotta.blogspot.com

Thursday, August 06, 2009

Do soninho



Ele tem o sono leve. Acordou com o flap-flap das asinhas.

-Linda, fecha a janela.

Eram pombinhos que (também) voavam lá fora.

Friday, July 24, 2009

Do tempo



eu remoçando...

acho que a vida anda passando a mão em mim
a vida anda passando a mão em mim
acho que a vida anda passando
a vida anda passando
acho que a vida anda
a vida anda em mim
acho que há vida em mim
a vida em mim anda passando
acho que a vida anda passando a mão em mim


e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

Do livro Pensamento do Chão, de Viviane Mosé.

Tuesday, July 21, 2009




"O drama de uma vida sempre pode ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo nos ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não, lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quisera deixá-lo. Ele a perseguira depois disso? Queria se vingar? Não. Seu drama não era o drama do peso, mas da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser." (Milan Kundera)