Saturday, March 31, 2012
Friday, January 20, 2012
Da serpente
Era uma vez um lugar úmido, gelado e cinza. No meio desse nada, habitava, num edifício de concreto frio, uma espécie de cobra criada nos confins do butantã... uma serpente de sotaque paraense, que tentava aprisionar seres humanos de boa índole que, por infelicidade do destino, lá aterrissavam. Ela tinha uma cabeçorra de um amarelo opaco reluzente, uma arrogância sedutora de cobra criada e expelia veneno bonachão pela boca repuxada e linguinha repartida que, ao final de cada frase, deixava escapar um "sssssssss". Nesse lugar, entravam pessoas em busca de conhecimento, de exemplos de vida, de educação, de um título. Gente jovem. Aprendizes que, ironicamente, tinham a obrigação de tê-la como mestra. Conquistava os mais inocentes que adentravam no meio. Isso conseguia com sua dissimulação nata capaz de superar qualquer personagem machadiana. No entanto, repulsava os que lá iam há mais tempo, já portadores do soro antiofídico nas veias graças à convivência com outras cobras de espécie (um pouco) inferior.
Dedicou um semestre inteiro expelindo veneno contra aqueles que podem ser chamados de homens (pois neles há o que se pode chamar de "humanidade") e, portanto, a ela superiores. Homens que sabem escrever. E escrevem. E publicam suas idéias. E repassam conhecimento para um mundo além daquele concreto frio, como também pros que ali estão, ainda novos, tentando se formar como intelectuais e como gente, mas divididos entre a sedução maquiavélica da serpente e o caminho dos homens. A competência e dedicação dos iniciantes, dentro da salinha da serpente de sotaque paraense, não contam. O que vale são os seus interesses pessoais. Prejudica os jovens imaturos de vida para conseguir atingir os homens lá estabelecidos, seus inimigos mortais.
Não se deu conta ainda, a pobre (pobre, pobre, pobre de espírito serpente) que é o homem superior em inteligência e dela é predador. Enquanto não é pelo homem derrotada, lá continuam se formando homens e serpentes. Lá..no departamento da Santa Mediocridade.
Monday, April 11, 2011
Da essência [2]
Saturday, March 19, 2011
Do livro

Monday, February 07, 2011
Do pedido

Praia do Jacaré - PB
Tuesday, January 18, 2011
De 2011
Errou no amor
Joana errou de joão
Ninguém notou
Ninguém morou na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal" (Chico Buarque)
Tuesday, November 09, 2010
Da saudade irreversível
Thursday, September 30, 2010
Dos dias de hoje
Era uma vez um rapaz que pediu a uma linda garota:
A moça teve celulite, varizes os peitos caíram e ficou sozinha.
FIM.
Surrupiado do Blog http://anu11.blogspot.com
Sunday, August 29, 2010
Do Luto (repostagem)
Wednesday, August 04, 2010
Da autobiografia em 5 capítulos
1) Ando pela rua . Há um buraco fundo na calçada . Eu caio. Estou perdido... sem esperança. Não é culpa minha. Levo muito tempo para encontrar a saída.
2) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada Mas finjo não vê-lo. Caio nele de novo.
3) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está. Ainda assim caio... é um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou. É minha culpa. Saio imediatamente.
4) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.
5) Ando por outra rua.
Acho que é de algum livro zenbudista... procurando desesperadamente este livro ..
Monday, June 28, 2010
Da sem noção

Sunday, June 27, 2010
Do cãozinho Pimpinho

Monday, May 31, 2010
Da sabedoria
Thursday, May 20, 2010
Da (in)Justiça

Tuesday, April 06, 2010
Repostagem em Homenagem a Harold
Monday, April 05, 2010
Da diversidade*
Mas barroco e romântico há muito sentiam a poesia esmorecer. Além de se privarem de tantas vontades comuns a todos os seres humanos, os dois tinham quase sempre que reprimir o desejo de um pelo outro. Beijos, abraços e afagos exigiam hora marcada. Até o dia em que o segundo saiu em disparada da casa do primeiro – sem nem se despedir – ao ouvir um terceiro chegar.
Ao telefone 30 minutos depois:
- Ah não! A gente tem que dar um jeito nisso! – revoltou-se o primeiro
- Mas como? – Suspirou desacreditado o segundo
De pernas elegantemente cruzadas e recostado no sofá de couro vermelho, o primeiro pensou, pensou, pensou. Pensou mais um pouquinho e acendeu um cigarro. Pensou, fumou, pensou, fumou, pensou... e oito maços depois encontrou a solução.
- Vamos embora daqui. Vamos para a Holanda! – gritou entusiasmado o primeiro.
- Holanda??? He-Hé-Hé! Agora? Como? Por que?
- Lá é um país liberal. As pessoas usam drogas no meio da rua. Ouvi dizer que tudo pra eles lá é normal... Eles todos lá são adeptos do “Movimento Vaca”: tão cagando e andando pra tudo. Por isso as vacas holandesas são conhecidas no mundo inteiro!
- Mas como a gente vai fazer pra ir agora?
- Indo! Ou você quer esperar que a sociedade mude? Eu não quero ficar protestando para que as gerações futuras possam usufruir de tudo enquanto eu já tô morto. Quero ser feliz com você agora!
Lá no outro continente as coisas eram bem diferentes. Mas tal qual a sociedade brasileira, a holandesa ainda precisava evoluir quando a questão envolvia o mesmo sexo. Voaram então pra uma ilha deserta no Peloponeso. Viveram 9 dias de paz, sem nenhum olhar ameaçador dilacerando-lhes a alma. Até que a Guarda Costeira apareceu de repente. Apanharam em flagrante os dois deitados na areia, um de frente pro outro, dando risada com as pernas enroscadas. Foram presos por atentado ao pudor. Paradoxal, mas enfim... No final das contas, o governo brasileiro pediu a extradição do casal. Apelou para o discurso da aceitação das diferenças e da necessidade de uma sociedade justa e democrática que tanto o Brasil luta pra ser. O segundo ficou empolgado:
-Agora com essa intervenção do presidente, nosso caso vai virar manchete. As pessoas vão se sensibilizar e vai ser um grande passo para vivermos em paz...
Quando chegaram no Brasil, estranharam. Nenhum burburinho sobre o episódio. Era época de campanha eleitoral e o então presidente preferiu abafar o caso. Era preferível manter o status quo a provocar polêmica. Afinal, não queria perder os votos da maioria da população do país, que era conservadora. Não podia arriscar. A justiça brasileira decidiu absolvê-los, mas os dois tiverem que assinar um termo em troca. O documento exigia o silêncio de ambos. Assim foi feito.
Fatigado, mas obstinado, o primeiro não desistiu.
-Vamos para os Estados Unidos. Lá é a terra das oportunidades, o país da democracia...
O segundo igualmente obstinado apoiou a idéia. Mas, na véspera da viagem, Bush baixou um decreto proibindo a entrada de latinos, negros, e homossexuais no país sob pena de morte. O governo americano considerava a estirpe um bando de terroristas em potencial. Era fuzilamento na certa.
O primeiro continuou pensando. Pensou, pensou, pensou. Acendeu um cigarro. Pensou, fumou, pensou, fumou, pensou... até que...
- A solução é irmos embora do planeta. Aqui não vamos nunca ser plenamente felizes...
Uniram as persistências e as inteligências. Numa nave espacial de cores modernas foram baixar num planeta distante, em outra Galáxia a qual deram o nome de “Gayláxia”. Aterrisaram num planetinha aconchegante onde a morte não existia, nem a rotina e nem domingo à noite. Do chão brotavam alimentos light, mas com gosto bom de guloseimas. No céu, um arco-íris lá pairava sempre. Construíram uma casinha no final do arco-íris, representando que tinham finalmente encontrado o tesouro.
O planeta, o segundo resolveu batizar de “Tô-nem-aí-véi”. Mas o primeiro, estritamente avesso aos erros gramaticais, fez cara ruim.
- Tem que ser Tô-nem-aí (vírgula) véi, porque o vocativo tem que ser separado por vírgula.
- Mas é só uma nomenclatura...
-Mas você sabe que eu fico agoniado com erros de português!
Ficou “Tô-nem-aí”. E eles foram felizes para sempre a milhões de anos-luz daqui. Porque na Terra eles também tinham tudo para ser feliz, só que a gente desse mundo não deixava. E é por isso que nesse texto eles não tem nome.
E 300 anos depois, o já consolidado movimento gay derrubou o regime totalitário mundial imposto pelo presidente Bush no século XXI. Os homossexuais tomaram o poder. O planeta azul ficou rosa e bem melhor de se viver.
