Friday, April 18, 2008

Da insustentável leveza do ser

"O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. (...) Tomás pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher) [...] O sono compartilhado era o corpo de delito do amor"

In: Kundera, A insustentável leveza do ser

3 comments:

Tijolada said...

O amor chega quando não sentimos aquela vontade incrível de que a mulher desapareça depois que o cara goza.

PaTi said...

Nossa, que tijolada. Curto e grosso, mas nao deixa de conter a idéia de Kundera. ehehehehe

tijolada said...

Infelizmente, o rompimento de um relacionamento acabou por deixar interminada a leitura do Kundera. Qualquer dia eu retomo do zero. Abraço.

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