Filosofia de pára-choque

Monday, May 19, 2008

Do bouquet (in)desejado

Casamento do ano! A primeira neta de Aely, família Castro, vai casar em Salvador. Parentada de todo o Brasil reunida na terra de Jorge Amado. Chego no dia mesmo do casamento. Mauro e Tati me pegam no aeroporto e me deixam no hotel onde painho e meus irmãos me esperam. Sim, tivemos que ficar num hotel. A casa das gêmeas Tia Ângela e Tia Celeste já não comportavam tantos membros do clã Maia de Sousa e Castro. No saguão do hotel, encontro meu pai. Sorriso largo na boca e nos olhos, que diziam: "Não preciso de mais nada! Meus três filhos estão aqui'!
No pátio da igreja, toda a família. Risos, abraços, espanto! "Jesus, como assim Marcelinho?", perguntavam-se as primas da minha geração ao reencontrar o "priminho" que cresceu. Do outro lado, uma vozinha meiga: "Oxente, o padre... que desperdício!", lamentava Helena ao ver aquele francês de olhos azuis, praticamente um sósia do ator que faz o homem aranha, mas na versão adepta ao celibato. Enquanto isso, nós na faixa dos 25, fingíamos nao ouvir as cobranças das tias "E vocês??? Quando vão casar???", resolvemos todas achar um lugar na igreja. Eu, sempre meio desconfiada com as cerimônias religiosas e o 'felizes para sempre' que elas impõem , me vi chorando quando a imponente porta da igreja se abria, devagarinho, acompanhando as notas da marcha nupcial. Quando vi Marina, a noiva, de uma beleza que até doeu, virei pra Quel com cara de choro-alegre: "Aiiiiin! Quero casar na igreja!".
Depois de muitos soluços e fungadinhas de choro e emoção, seguimos, na confusão familiar típica ("O carro de Fulano tá cheio? E Sicrano vai onde? Tem carro pra Beltrano?"), para a impecável recepção. Em meio a camarões e prós secos da melhor qualidade, a alegria nem cabia. Até chegar a hora de jogar o bouquet! "Vai ser um pau da porra! Esse tanto de prima solteira", diziam. Coincidência ou sinal dos novos tempos?
- Bora, Tati!!! Mari vai jogar o Bouquet! - chamei minha inseparável prima
- Eu não vou não! Já peguei essa porra duas vezes e me deu um azar do carai! - respondeu ela no seu linguajar típico!
- Bora, poia! Só pra tirar onda...
- Sá p... ! Bora logo então.
Começa o vuco vuco. Estou lá, de mãos para o alto, bem na direção do bouquet, a exemplo das outras. Menos Tati, postada lá atrás, com um pró seco na mão direita e cara de desdém. Uma diva! "Joga, joga", gritavam. Mari lança o bouquet. Quel, ao meu lado, joga sujo e tira eu e Gabi da "competição" com seu indicador implacável nos nossas axilas! Baixei os braços caindo na gargalhada a tempo de ver o bouquet cair como uma luva, deslizando suavemente no colo de Tati que o agarrou incrédula:
- Nããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããõooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Essa porraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas, no final, foi só mais um motivo para rirmos em família. Que bom que os momentos felizes ficam guardados...

Sunday, May 11, 2008

Do hippie

Voltando do almoço do Dia das Mães com minhas amigas cujas mães também estão em outro estado, deu uma saudadeeee da minha mainha. Imaginei o dia de hoje lá em casa. Café quentinho passado por Quel, bem de manhãzinha. Pão de queijo. Bolo de nozes. Pão fresquinho. Pimpinho ao pé da mesa. Mesa posta apontada para o céu da Savassi. Sorriso de mãe. Pensando nisso, caminhando no calçadão de Santa Maria, olhinhos baixos com o peso de tanta nostalgia, escuto um grito:
- Por favor! Me tirem do Rio Grande!, berrou um hippie sentado em posição de ioga com vários brincos artesanais em volta.
- Quem leu meu pensamento? - pensei olhando em torno.
Fui até ele...
- Má que houve, homi?
-Ah, esse lugar frio! Acho que o frio deixa o coração das pessoas mais frio...
Agradecido por eu ter ido puxar papo, me fez um brinco lindo: um 'bonequin' felizinho saltitando um reggae... e, a partir de agora, dançando na minha orelha direita.
Em casa ele parou de dançar. É que apertei forte o brinquinho, telefone bem junto ao ouvido, escutando com ternura cada palavra sorridente da minha mainha.

Friday, April 18, 2008

Da insustentável leveza do ser

"O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. (...) Tomás pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher) [...] O sono compartilhado era o corpo de delito do amor"

In: Kundera, A insustentável leveza do ser

Thursday, April 10, 2008

Da poesia televisionada

Estava dormindo. No sonho, uma voz masculina declamava uma poesia com uma música ao fundo. Abri os olhos, ainda semicerrados, reconheci Oswaldo Montenegro na tela da TV, violão e microfone, voz doce e olhos fechados, dizendo: "E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade também". Levantei repetindo a frase na cabeça. Google: "E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade também". Eis o poema na íntegra:
"Que a força do medo que eu tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade .
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.Porque metade de mim é amor, e a outra metade... também..."
Depois de conhecer a música da bailarina na voz dele, Oswaldo Montenegro me encantou mais uma vez, dez anos depois...

Friday, March 21, 2008

Do abandono

De Camille Claudel

Tuesday, March 11, 2008

Do ontem agora

[Esperanças irreais]
[Expectativas desleais]
[Estruturas glaciais]
[Experiências difíceis especiais]
[Despedida (im)prevista]
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[Hoje, inteira, uma mulher me habita]

Tuesday, February 26, 2008

Do Renato

Risadas, comentários de pé de página, confidências (para ele e mais ninguém!), amizade incondicional sem segundas intenções (rá!), cerveja com chuva e relâmpago, bolinhas de champagne. Ora bolhas, que saudade!
Com "tu", amore, la vie en rose!