Friday, August 08, 2014

A guerra na Palestina: ouvindo o que Israel tem a dizer (PARTE 1)

Por Thiago C.S.

Tópicos abordados nessa parte:
- Introdução;
- Antissemitismo e o movimento sionista moderno

Introdução

Parece haver se formado um quase consenso entre jornalistas e líderes políticos no sentido de que Israel possui a maior parcela de culpa quanto à recente escalada de violência na Faixa Gaza. Porém, boa parte da cobertura jornalística parece aceitar sem ressalvas que a narrativa do Hamas, uma organização terrorista, tem a mesma credibilidade daquela defendida pelo Estado de Israel. Ao mesmo tempo, pouco foi dito em relação às origens do conflito e ao seu contexto histórico.

Mas será mesmo que Israel e seus adversários são moralmente equivalentes? Há alguma plausibilidade no argumento de que Israel promove intencionalmente o genocídio de civis, ou, que, no mínimo, não faz qualquer esforço para evitar tais baixas? Qual o interesse de Israel em cometer tais atrocidades e se tornar um pária diante da opinião pública mundial?

Por outro lado, a morte de civis parece ter fortalecido enormemente a estratégia do Hamas em relação ao conflito; e não é nenhuma novidade que essa organização adota a prática de utilizar escudos humanos, como está fartamente registrado em vários discursos de seus integrantes. Não seria, então, o Hamas o maior culpado pela morte de civis palestinos?

A disparidade moral entre Israel e seus inimigos parece ser sem dúvida a questão central desse conflito. E poucos discursos captaram tão bem essa diferença quanto o de Sam Harris – concordemos ou não com ele em relação a outros tópicos – que pode ser conferido, com legendas em português, AQUI (há imagens fortes):

Contundo, o que temos visto na maioria dos meios de comunicação é uma avalanche de colunas e matérias escritas por gente que obviamente jamais se deu ao trabalho de estudar sequer algumas horas sobre o assunto. A Folha de São Paulo, o jornal de maior circulação no país, chegou ao cúmulo da irresponsabilidade quando, na semana passada, deu ampla divulgação a uma coluna em que uma evolução histórica sabidamente desonesta do território palestino foi vendida como prova de uma sanha genocida e colonialista de Israel. Há uma enorme diferença entre publicar uma opinião e fomentar a disseminação de uma mentira abjeta.

Parece-me, portanto, importante fazer um contraponto a esse consenso que está se formando. É necessário ouvir com atenção o que Israel tem a nos dizer*.

Quem desejar comparar as narrativas inevitavelmente se deparará com os seguintes questionamentos: qual delas é a mais verossímil? Ou ainda, qual parece apresentar o contexto histórico mais honesto para os fatos? E por fim: qual lado merece maior credibilidade?

Antissemitismo e o movimento sionista moderno

Sim, Israel tem sua parcela de erros e de responsabilidade em atos atrozes ocorridos nos diversos conflitos em Gaza e na Cisjordânia. Mas uma análise cuidadosa dessas guerras e de suas origens parece não deixar margem a dúvidas de que Israel sempre foi o lado que mais buscou a resolução diplomática para esses conflitos, bem como aquele que procurou se ater aos princípios morais que disciplinam sua própria sociedade e às leis internacionais que regem conflitos armados.

Para entender a guerra na palestina, porém, é preciso conhecer minimamente as origens do antissemitismo que marca a existência povo Judeu, bem como da própria divisão territorial do Oriente Médio.

O antissemitismo é um movimento milenar. No entanto, a maioria de nós possui apenas um vago conhecimento de seu pico mais recente, que ocorreu durante a segunda guerra mundial, quando o genocídio de 6 milhões de judeus foi patrocinado pelo Estado nazista alemão. Porém, desde seu surgimento, há mais três milênios, os judeus sofrem perseguição.

Uma rápida pesquisa é suficiente para identificar vários eventos de perseguição aos judeus, que vão desde o processo de helenização forçada promovida pelo Império Selêucida, que tornou ilegais, no ano de 167 AEC,  as tradições judaicas, passando pela atribuição de culpa aos judeus pela Peste Negra durante a Idade Média e pelos diversos pogroms (limpezas étnicas) que se espalharam pelo Oriente Médio e norte da África após o “Caso Damasco” – no qual membros da comunidade judaica de Damasco foram acusados de assassinatos rituais. Também foram intensas as ações antissemitas perpetradas na Russia Czarista (e posteriormente na União Soviética) e na África do Sul.    Outras dezenas de eventos menos conhecidos relacionados à perseguição de judeus ocorridos nos últimos séculos são listadas AQUI

Essa animosidade contra os judeus é central para entender o movimento sionista. O moderno movimento político para a criação de uma nação judaica na palestina tem em Theodor Herzl,  autor do panfleto “O Estado Judeu”, publicado em 1886, seu primeiro grande líder. Boa parte dos sionistas acreditava que o preconceito contra judeus era alimentado pelo fato de estes não terem, desde a diáspora promovida pelo Império Romano em 70 EC, uma nação própria e, portanto, de serem sempre vistos como intrusos em qualquer comunidade.   Imaginavam que se os judeus tivessem sua própria nação – e a Judeia parecia um local lógico – passariam a ser como todos os outros povos e que o antissemitismo perderia sua força.

*Parte relevante das informações relatadas nesse texto (dividido em quatro partes) foram extraídas dos livros “Myths and Facts: A Guide to the Arab-Israeli Conflict”, de Mitchell G. Bard (https://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/myths3/mftoc.html); e “Why Israel is the Victim”, de David Horowitz (http://www.frontpagemag.com/2013/david-horowitz/why-israel-is-the-victim/ ).
Outras referências utilizadas nessa parte:

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