Wednesday, August 13, 2014

A guerra na Palestina: ouvindo o que Israel tem a dizer (Parte 4)

Por Thiago C.S.
Tópicos abordados nessa parte:
- Os palestinos recusam uma oferta generosa;
- A retirada israelense de Gaza e a ascensão do Hamas;
- A escalada atual do conflito e sua cobertura pela imprensa mundial


Os palestinos recusam uma oferta generosa

Voltemos nossa atenção para anos mais recentes. Em 2000, Israel ofereceu entregar de volta aos palestinos 97% da Cisjordânia e a totalidade da Faixa de Gaza. Também propôs compensar a anexação dos 3% do território da Cisjordânia – que teriam valor estratégico para a defesa de Israel – com o desmantelamento de 63 assentamentos judeus e com a cessão de territórios em Negev, que seriam acrescidos à Faixa de Gaza.

O primeiro ministro israelense, Ehud Barak, propôs ainda o que, até então, era inimaginável: daria aos palestinos o controle de bairros árabes no leste de Jerusalém, que passariam então a ser a capital do Estado Palestino. Os palestinos também passariam a ter controle sobre locais que consideravam sagrados, com exceção de pedaços do Muro Ocidental (popularmente conhecido como Muro das Lamentações).

Barak também garantiu o direito de refugiados árabes de retornar ao Estado Palestino e propôs que eles recebessem reparações que viriam de um fundo de U$30 bilhões que seria levantado por doadores internacionais. Segundo o negociador Dennis Ross uma solução foi pensada para tornar o Estado Palestino contínuo: uma via expressa, sem qualquer ponto de controle israelense, ligaria Gaza à Cisjordânia.

Ao líder palestino, Yasser Arafat, foi pedido que concordasse com a manutenção de três bases defensivas no Vale do Jordão, as quais Israel se comprometia a abandonar após seis anos de paz. E, claro, que admitisse o fim definitivo do conflito com os israelenses. Arafat rejeitou o acordo.

O que se seguiu às negociações fracassadas ficou conhecido como Segunda Intifada, um conflito que se estendeu até setembro de 2005 e causou a morte de mais de 5000 pessoas. 

A retirada israelense de Gaza e a ascensão do Hamas

Até 2005, havia uma pequena comunidade, cerca de 8.500 judeus, vivendo na Faixa de Gaza. Um número irrisório, se comparado aos 1,4 milhões de árabes palestinos que ali viviam. Essa pequena comunidade criou uma indústria de frutas, verduras e flores que respondia por 20% de todo o produto interno bruto da região. Ocorre que, após o fracasso das negociações de paz e com a nova escalada do conflito armado, Israel decidiu estender as cercas de segurança ao longo das fronteiras com Gaza e com a Cisjordânia para impedir a entrada de homens-bomba – o que reduziu consideravelmente o número de ataques – e remover todos os judeus que viviam na Faixa de Gaza, retirando suas forças militares da região.

Após a saída dos judeus da faixa de Gaza, alguns filantropos (entre os mais proeminentes, o Judeu americano Mortimer Zuckerman) levantaram 14 milhões de dólares para comprar as estufas utilizadas pela indústria criada pelos judeus na região, com o objetivo de doá-las aos palestinos. Porém, tão logo as tropas israelenses se retiraram, boa parte das estufas foi saqueada ou destruída.

Em 2006, quando os palestinos puderam votar, após 10 anos, em uma eleição legislativa, escolheram como força política governante o Hamas, a organização terrorista cujos objetivos declarados são a destruição de Israel e o estabelecimento de uma nação islâmica “do Jordão até o mar” e que tem como lemas frases do tipo: “Nós desejamos a morte tanto quanto eles (judeus) desejam a vida”; “Matar Judeus é uma adoração que nos aproxima de Allah”.  

A escalada atual do conflito e sua cobertura pela imprensa mundial

Nas últimas semanas testemunhamos à mais recente escalada do conflito entre o Hamas e Israel. Assistimos cenas chocantes mostrando o sofrimento e a morte de centenas de civis, principalmente mulheres e crianças palestinas, que caíram vítimas de ataques que incluíram alvos como escolas e residências. Vimos líderes mundiais e comentaristas políticos de emissoras de dezenas de nações condenando a “desproporcionalidade dos ataques israelenses”. Um fato destacado por todas essas pessoas influentes foi a enorme discrepância tanto entre o poder de fogo dos dois lados, quanto das baixas que cada parte sofreu, afinal para cada israelense morto, dezenas de palestinos perderam suas vidas. Segundo o consenso internacional, Israel é o principal culpado pelo alto número de civis palestinos mortos.

Contudo, um fato importante recebeu pouca atenção tanto da cobertura jornalística internacional, quanto das lideranças de diversos países: enquanto Israel passou décadas aprimorando os mecanismos que lhe permitem defender seus civis, os extremistas palestinos concentraram esforços em apelar para a demonização dos judeus e em glorificar o uso de civis como escudos humanos. O Hamas não distingue civis de soldados, seja do lado israelense – onde alvos civis são propositalmente atacados por terroristas –, seja do próprio lado palestino onde mesquitas, escolas e residências são usadas como depósitos de armas ou células de inteligência terrorista; e civis, especialmente mulheres e crianças, são incentivados a se reunir em locais que sabidamente serão alvejados pelas forças israelenses. Seguem dois links para notícias da ONU condenando (o que não é feito, nem de longe, com a veemência ou frequência necessárias) essa prática imoral do Hamas, AQUI AQUI; e uma entrevista feita ao vivo em que um porta-voz do Hamas convoca o povo palestino a atuar como escudos humanos. 

É preciso atentar que, enquanto a Declaração de Independência de Israel promete plena cidadania aos árabes que escolheram viver em seu território (há, hoje, aproximadamente 1.7 milhão de cidadãos árabes em Israel; o parlamento israelense possui 12 membros árabes; e há um integrante árabe na Suprema Corte do país), o estatuto do Hamas declara “que Israel existe e continuará a existir enquanto o Islã não o obliterar, assim como obliterou outros antes dele” e que “chegará o dia em os judeus se esconderão atrás de pedras e árvores e estas gritarão: ‘há um judeu atrás de mim, venha matá-lo' ”.

Essa é a organização responsável pela morte de 160 crianças utilizadas como mão de obra na escavação de tuneis que seriam usados pelos terroristas para invadir território israelense com o intuito de assassinar e sequestrar civis. Como negociar com um inimigo dessa natureza?

O Hamas é uma organização com as mesmas características do EIIL (ISIS, em inglês) - outro grupo que considera os judeus "crias de porcos e macacos". Como essas organizações não se envergonham das próprias ações, é possível encontrar vídeos filmados por seus próprio integrantes em que cometem crimes bárbaros contra aqueles que consideram "infiéis".   Embora pouquíssima divulgação lhes tenham sido dadas, será que as ações desse  vídeo não merecem um protesto mundial muito mais eloquente do que os que Israel tem sido alvo? 

Uma interessantíssima e surpreendente entrevista conduzida ao vivo – com legendas em português que podem ser ativadas no YouTube – resume bem a indignação de autoridades israelenses em relação à postura da imprensa internacional e, em especial, de boa parte da grande imprensa americana. Não me recordo de nenhum entrevistado que tenha conseguido causar tamanho desconforto a um âncora de televisão (nesse caso da CNN), como o fez o embaixador israelense nos EUA, Ron Dermer, nesse vídeo. 


A tradução integral do diálogo (feita de forma muito competente por Felipe Moura Brasil), pode ser lida AQUI.

Sobre a nota do Sr. Ban Ki-moon, lida ao vivo pelo embaixador, é preciso destacar que soa um tanto inverossímil que o presidente da ONU esteja verdadeiramente surpreso com o fato de o Hamas utilizar escolas e outras instalações civis para armazenar armas, afinal essa estratégia é conhecida há anos, estando amplamente documentada (vídeos, fotos e documentos que comprovam essas ações atrozes estão disponíveis para qualquer um que se disponha a fazer uma rápida pesquisa na internet). Aliás, a atuação da ONU nesse conflito e o funcionamento das escolas onde mísseis do Hamas foram encontrados merecem um artigo exclusivo. Algumas denúncias graves que deveriam ser seriamente investigadas podem ser conferidas AQUI

Hillel Neuer, diretor executivo da UN Watch (cuja missão é monitorar o desempenho da ONU pelos critérios de sua própria Carta), em sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada em 23/07/14, fez um discurso contundente em que denuncia o relativismo moral e a hipocrisia daqueles que condenam as ações recentes de Israel, mas se calam diante de genocídios e extermínios praticados por outros países. Neuer tinha acabado de retornar de Israel onde presenciou um ataque do Hamas que alvejou civis com foguetes. Clique AQUI, para assistir o vídeo.




É interessante notar quais foram os países que tentaram interromper o discurso do observador e como se pronunciaram sobre Israel:

 - O Irã,    o segundo país que mais executa no mundo (muitas das execuções são realizadas em praça pública) e que em inúmeras ocasiões condenou à morte pessoas pelos "crimes" de terem "renunciado à fé" ou de serem homossexuais, acusou Israel de "limpeza étnica e de crimes de guerra". Também é importante lembramos que o Irã, segundo confissão de integrantes da própria organização, é um dos financiadores do Hamas. 

- A Síria, país em que jihadistas crucificam cristãos pelo simples motivo de não professarem a fé muçulmana e onde cerca de 1800 árabes palestinos foram  massacrados nas últimas semanas –  700 em apenas dois dias –, acusou Israel de ter “uma mente racista e criminosa”.

- O Sudão, atualmente palco do que é provavelmente o mais grave conflito étnico do mundo (500.000 mortos e 2,8 milhões de desalojados), onde milícias financiadas pelo governo, conhecidas como Janjaweed, destroem os darfurianos queimando e saqueando suas vilas, poluindo suas fontes de água, torturando, estuprando (homens, mulheres e crianças) e assassinado civis, denunciou: "O massacre e o genocídio continuam sendo realizados por Israel".

Outros campeões mundiais em desrespeito aos direitos humanos (clicar nos nomes dos países para acessar o respectivo relatório atual elaborado pela Human Rights Watch) que criticaram Israel durante a sessão: ArgéliaVenezuelaEgito e Cuba.

A atual operação militar israelense em Gaza foi denominada de “Limite Protetor”. Para que tiver interesse, esse curto vídeo é uma versão legendada do original divulgado pelo Primeiro Ministro de Israel, que explica resumidamente algumas de suas características principais.

Por fim, reitero que esse texto – e obviamente muito ficou de fora – foi escrito com o objetivo de ser um contraponto à narrativa que parece ser o consenso entre jornalistas e líderes políticos. Todos os fatos aqui descritos podem ser encontrados em fontes de informação de domínio público e podem ser pesquisados por qualquer um que deseje refutá-los ou confirmá-los.

E, claro: quem desejar comparar as narrativas sobre o conflito em Gaza inevitavelmente se deparará com os seguintes questionamentos: qual delas é a mais verossímil? Ou ainda, qual parece apresentar um contexto histórico honesto para os fatos? E por fim: qual lado merece maior credibilidade?

Nas partes anteriores:

 *Parte relevante das informações relatadas nesse texto (dividido em quatro partes) foram extraídas dos livros “Myths and Facts: A Guide to the Arab-Israeli Conflict”, de Mitchell G. Bard (https://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/myths3/mftoc.html); e “Why Israel is the Victim”, de David Horowitz (http://www.frontpagemag.com/2013/david-horowitz/why-israel-is-the-victim/ ).

Outras referências utilizadas nessa parte:






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