Wednesday, June 03, 2009

Da(s) Menina(s)*



Lascívia estava com o coração doendo. Pensava sobre suas últimas relações e convenceu-se de que os homens da sua idade não se apaixonam mais. Será que os homens de 35 pensavam diferente daqueles que, lá pelos 26, lhe faziam juras de amor eterno? Ou seria a fluidez das relações na pós-modernidade? Apelou, primeiro, para o amor líquido: champanhe para amainar a dor. Uísque para deixar momentaneamente o mundo mais bonito.

Lascívia, álcool na veia e olhos de ressaca, desabafava com seu fiel amigo Charlinho numa mesa de bar. Copos e camel para exalar a fumacenta angústia:

- Sabe que às vezes penso que se relacionar com mulher seria mais fácil...
- Por que você não tenta?, perguntou já com os olhinhos brilhando, imaginando uma cena imprópria para aqui ser descrita. Muito imprópria, porque afinal vinha do imaginário do Charlinho.

E Charlinho levou Lascívia cambaleante para uma boate GLS.

- Hum... muito novinha essa. Essa outra muito masculina... Hum, tá foda! - repetia Charlinho para si enquanto procurava uma candidata para a amiga.
Até que a montanha chegou a Maomé. Atraída por Lascívia, ela veio de shortinho e rasteirinha. Brincos brincando de se enroscar no cabelo grande. Um sorriso largo enfeitava o rosto. A conversa e o jeito a deixavam mais bonita. Volúpia era seu nome.

As meninas conversaram por horas e horas, enquanto Charlinho olhava para Lascívia como quem diz: "Beija logo, porra. São cinco da manhã". E Lascívia retornava também com os olhos: "Calma, é estranho". Até que para amenizar o estranhamento, Volúpia vedou os olhos de Lascívia com as mãos e beijou-a na boca.

Lascívia pensava no quanto Volúpia beijava bem ao mesmo tempo em que tentava se acostumar com aquela cinturinha. As mãos de Lascívia não se moviam, ficaram presas, estáticas naquela cintura onde batiam os cabelos de Volúpia. Não conseguiu deixar de estranhar aquele corpo delgado e tão feminino. Deu mais um selinho e saiu correndo, deixando para trás só o endereço do email.
As duas trocaram emails e telefones. Mas ambas souberam-se incompatíveis. Lascívia confessou que testosterona lhe faz falta. Volúpia disse que cansou de se envolver com heteros de espírito aventureiro. Decidiram ser amigas. Mas às vezes se olham sabendo que Volúpia encontrou tudo que ela queria numa mulher. E Lascívia achou em Volúpia tudo que falta num homem. E brincando, não cansam de cantar: "Eduardo e Mônica eram nada parecidos..."

*Inspirado no filme Vicky Cristina Barcelona



25 comments:

Plutonauta said...

eu, como muitos homens, não tenho nada contra mulher com mulher !!!!!!!! mas não posso dizer mais nada sobre o outro tipo de relação homosexual !!!!!

Prof. Magno Rocha said...

Quanta concupiscência...adoro!

Rosangela A. Santos said...

Eita .. rsrs .. história bem quente .. rsrs ... ficou legal sexy ..

Abç.

Dé Cheers said...

Isso só acontece em sonhos. Pelo menos comigo.
Você citou o Vicky Cristina Barcelona. Eu vi o Segundas Intenções (1999), tem umas cenas interessantes. É um filme inteligente e sedutor.

PS. quando terminar de processar, volta la no Livre Iniciativa.

Beijos.

Weslley Talaveira said...

Muito legal seu blog, visitarei mais vezes.

Qdo puder, da uma passadinha no meu:
http://weslleytalaveira.blogspot.com

Até

Bê Sant Anna said...

Adorei os nomes das personagens principais... Será que esta história teria o mesmo sabor se uma chamasse Flor e a outra Brisa, por exemplo?
;)
Seus textos são incríveis, Sabina!

Nina said...

Mas que história heimmmm, merece uma continuação!! hahaha

Ótimoooo texto, nomes exóticos !!

*Teta de Nêga* said...

Quero continuação!!!!

Tchezar said...

Muito bom o que você escreveu.
Eu acho um tanto engraçado uma coisa... Muitas mulheres querem e desejam uma pessoa "assim, assim e assim", mas quando conseguem, sempre falta alguma coisa... Fato é também que no mundo moderno, o homem precisa se afeminar mais na relação afetiva, mas na hora de trocar carícias mais íntimas precisa manter e resgatar o velho espírito do "homem das cavernas", só que além disso, ainda precisam ser cavalheiros... É um tanto difícil para nós homens absorver tal conceito e muitos deles não conseguem, fora o fato de ter que aceitar uma certa "masculinização" da mulher quando se diz respeito a independência que ela vem criando a cada dia... O homem, por sua vez, acaba se sentindo escravo nessa inversão de valores e acaba agindo de uma maneira que não agrada as mulheres...

Blog do Óbvio said...

Coisa estranha, né Sabina. Difícil me acostumar com isso. Bjus. Manoel.

* A Poderosa * said...

ai ai ai ui ui. kkkkkkk
agora continua.
Beijossssss da * Poderosa *
http://mundodapoderosa.blogspot.com

Thiago Damião said...

hehehehe
gostei

Bê Sant Anna said...

Sabina, vai aqui um desafio.
Leia no meu blog e no blog da Branca sobre "o silêncio constrangedor". Eu escrevi uma prosa reflexiva, ela um poema romântico. Você aceita o desafio de escrever um conto como os tantos que você já escreveu sobre o mesmo tema que escrevemos? Ou quem sabe algo com um apelo jornalístico? Aguardo sua contribuição. Nossos endereços eletrônicos você sabe quais são...
Bê ijos

RAFAEL DIAS FERNANDES said...

Interesante beijos

Sam said...

Demais esse texto, fiquei sem palavras realmente, parabéns.

E queria muito ver esse filme,
Scarlett é uma ótima atriz, e coloca ótima nisso!

www.vida-alternativa.blogspot.com

Rosangela A. Santos said...

Olha eu de novo ... tb acho que merece continuação .. rsrs

Abç.

planetadablogueira said...

heheheheh... é por aí mesmo, adorei o texto!!! Vou segui-la por aqui.
Desejo sucesso, obrigada pelas palavras em meu planeta.
Num é verdade menina, o que esse povão faz por um regime, dieta, botox, sei lá mais oque??? heheheh

Roberta said...

Sabina,
Sou super menininha e gosto de meminos, mas a forma como vc descreveu o texto e os nomes dos personagens dram um quê de sensualidade, que eu tb como tantos já disseram gostaria de ver a continuação dessa história...rs

beijos!

Antonoly said...

"amor líquido: champanhe para amainar a dor."
Gostei dessa sua definição!
Beijos!

Monique said...

Gostei do modo como você descreve a situação dos personagens. Sou muito apegada às nuances.

"E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?"

Izzzzbel said...

minha branquela, minha melhor amiga. Mais uma vez vc fez do estranho, belo. To pensamento, letra.

Todo dia me repito: nossa senhora dos desencontrados, porque não gosto delas tb pra ter mais opção. Já tentei reza braba. Não dá. Continuemos na caminhada...

Te ligo amanhã, hoje vou encontrar "Uísque para deixar momentaneamente o mundo mais bonito." te amo e sinto saudade todo dia de vc, titi, nath e rena.

Dila said...

parabens pelo texto! realmente merece continuação!! :D beijos

Gerson said...

Legal , arrumou um leitor paranaense.

Cruela Cruel Veneno da Silva said...

confessa que de vez em quando a volúpia fala mais alto... e lascivia não tem outra saída, senão ceder.

Leonardo Barçante said...

Deliciosas palavras, Patrícia!
Grande texto!
Saudades de ti, menina e das bagunças que a gente aprontava no Marco.
Beijão!

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